Sobre trabalhar com livros, sentir-me realizada e isto de ser feliz

6.4.19



Três semanas depois de ter começado a trabalhar, tenho finalmente tempo (disponibilidade e vontade combinadas, para ser sincera) para me sentar em frente ao computador e dedicar-me ao blogue. Para quem não me segue no Instagram talvez não saiba, mas desde o dia 13 de março passei de pseudo-adulta para adulta. Comecei a trabalhar. Uma transição que tem sido tão carregada de boas energias, uma sensação de realização pessoal e de pura felicidade, que ainda nem sei muito bem como o transmitir em pleno aqui, para vocês. Mas vou tentar. 



Todos os dias levanto-me às cinco da manhã. Um ritual que já começa a habituar-se em mim, ao meu corpo e à minha rotina do dia-a-dia. Sempre fui uma pessoa matinal; gosto muito de dormir, mas sempre detestei acordar depois das nove da manhã, como se estivesse a trair a produtividade disto de sermos humanos e aproveitarmos o quotidiano em pleno. É difícil acordar de madrugada, sim, mas sou aquele tipo de pessoa que adora ver o sol nascer, que adora caminhar em direção à paragem de autocarro com o som dos pássaros a acordar de árvore em árvore. Em suma, sou alguém que sente a energia do nascer-do-sol e que acorda com ele, pelo que não me foi muito difícil habituar-me ao novo horário e à nova rotina. 

Comecei a trabalhar em Lisboa. Um compromisso que, durante meses, jurei a pés juntos que não queria para mim. Detesto a capital - sim, isso mantém-se, os transportes públicos e a correria das gentes que entopem estradas, desesperam com acidentes e habituam-se à poluição como a coisa mais natural do mundo. Eu percebo o encanto de viver em grandes cidades, mas habituei-me à calmaria das vilas ou das cidades pequenas, pelo que sempre achei que Lisboa não era para mim, deixando-me mais infeliz do que realizada, mais mal-humorada do que contente. O problema, lá está, é a minha área ser dedicada às metrópoles, pois é lá que acontece tudo. Cada vez mais percebo que adoro trabalhar em comunicação - não propriamente em jornalismo, área do meu mestrado, mas na arte de comunicar com um público, de criar conteúdo, seja nas redes sociais ou num blogue - e, para o fazer, pelo menos para já, tenho que ir para onde a magia acontece. Trabalhar em Lisboa, percebi nas últimas semanas, não é assim tão problemático para mim se eu conseguir dormir na minha cama, acompanhada pelo conforto da minha família (mesmo que raramente consiga falar ou estar com ela, há um consolo especial em terminarmos o dia num sítio que sempre foi nosso). 

Embora ainda esteja no período experimental de 30 dias, não resisti a confidenciar no Instagram que comecei a trabalhar na Bertrand. Lá faço de tudo um pouco, sendo que uma das coisas que mais gosto de fazer, naturalmente, é escrever para o blogue deles. Não sou sempre eu a escrever, atenção, mas há todo um sentimento de realização e contentamento pessoal ao aperceber-me que fui muito sortuda. Ao contrário de muitos que começam sempre num sítio que nada tem que ver com a área deles, o meu primeiro emprego não só está relacionado com livros, como também tenho que criar conteúdo para um blogue, algo que o meu coração de blogger sente todos os dias como uma dádiva, um luxo - uma espécie de milagre no que diz respeito a trabalhar em Portugal.


via pinterest

No meio disto tudo, não posso deixar de escrever aqui, para todos, que me sinto extremamente agradecida para com uma das minhas melhores amigas, a pessoa que me falou desta oportunidade de trabalho e com quem passei a conviver todos os dias, lado a lado. Por isso, é duplamente gratificante fazer aquilo que gosto ao mesmo tempo que tenho como colega de trabalho uma amiga minha, que estimo muito. A ti, minha Bia, todo o amor do mundo. Obrigada. 

Tantas coisas mudaram no espaço de quase um mês. Tornei-me perita em transportes públicos. Descobri que afinal consigo dormir minimamente bem nos autocarros. Os encontros com os meus amigos e com a minha família passaram a ser tão mais gratificantes. Descobri o alívio de receber o meu primeiro salário, depois de meses e meses indecisa entre acabar o meu mestrado e congelar tudo para começar a trabalhar. Estou mais comunicativa, mais social, ainda mais dada às pessoas. Aprendi o verdadeiro significado de uma relação à distância, quando deixei de ver o meu namorado duas vezes por semana para apenas uma. Aprendi que não tenho tempo para nada. Aprendi que tenho tempo para tudo. Que esta imensidão de ter 23 anos é apenas o início de uma viagem onde tenho a certeza, a 100%, que somos tão, tão pequeninos. E aprendi que é possível ser-se feliz. Valorizar o nosso trabalho, a pessoa que somos. Tudo isto no espaço de quase trinta dias. Tudo isto depois de um trabalho longo e doloroso que, no final, foi tão gratificante. 

Ainda assim, é tudo tão estranho para mim. 2019 está a ser um dos melhores anos de sempre. Acabar a minha vida universitária. Arranjar o meu primeiro emprego. Tenho quase medo de dizer em voz alta que me sinto plenamente feliz, pois há sempre aquele receio estúpido de que está a ser bom demais para ser verdade. Mas, em suma, é um sentimento quase alienígena para mim, depois de um ano a lidar com a minha depressão, com a minha ansiedade e a minha falta de auto-estima. Em parte, é perceber agora o verdadeiro significado do ditado "depois da tempestade vem a bonança". Por outro, e depois de tudo aquilo que eu passei, fica também a questão de quando vem a próxima tempestade. Uma coisa é certa: tenho o dobro da força e da resiliência que tinha há dois anos atrás, até mesmo há um ano atrás. Por isso tudo, e muito mais, só consigo dizer mesmo: bring it on. 

A todos vocês, que me continuam a ler depois de semanas ausentes, que têm acompanhado esta jornada a caminho do amor próprio e da realização pessoal. Também fazem parte disto, comigo. Obrigada. Por tudo.


P.S. Prometo que vem aí mais conteúdo. Literário e não só. Tenham só um bocadinho de paciência. Ainda me estou a ambientar a isto de conciliar trabalho com vida pessoal, blogue incluído. Se, no entanto, quiserem saber mais de mim, aconselho mesmo a seguirem-me no Instagram, pois é lá que partilho algumas partes do meu dia-a-dia, daquilo que estou a ler, enfim, tudo. 

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16 comentários

  1. Adorei ler este post, ainda bem que estás a trabalhar em algo de que gostas :)

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  2. Parabéns, Sónia!! Apesar de só te conhecer aqui pelo blogue, sinto que mereces mesmo tudo de bom que te está a acontecer e fico genuinamente feliz por ti :) keep going, girl

    Beijinhos,
    Ensaio Sobre o Desassossego

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    1. Oh, muito obrigada minha querida. Significa muito para mim dizeres isso :)

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  3. Fico tão, tão feliz por ti. Não imagino mesmo um primeiro emprego mais perfeito para a autora de um blog de literatura.
    Que a bonança continue a superar qualquer tempestade.

    Beijinho

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    1. É, não é? Sinto-me precisamente assim. Criar conteúdo que, por sinal, é inteiramente dedicado a livros. Há muitas pessoas que começam na profissão mas escrevem sobre tudo menos literatura, e eu tive essa vantagem. Sinto-me mesmo realizada e feliz. Muito, muito obrigada :)

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  4. Fico mesmo feliz por ti, minha querida <3
    Trabalhar com livros e com a escrita é mesmo aquele sonho tornado realidade. E tu mereces muito!

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  5. É tão bom quando fazemos algo que gostamos no dia-a-dia! Acordar cedo assim, nem custa tanto, não é?
    Espero que continue tudo a correr bem! Beijinhos*

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    1. Acordar cedo não custa muito. Os transportes públicos custam imenso. Mas cada vez que chego ao escritório e começo a trabalhar... Esqueço-me de tudo :)

      Obrigada, querida. Beijinhos

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  6. Oh, fico mesmo contente por saber que estás a fazer algo que gostas e que essas mudanças se têm revelado tão positivas. Que continues assim, querida, mereces <3

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    1. Não sei mais do que agradecer. Do fundo do coração. O vosso apoio e as vossas mensagens têm sido sempre uma ajuda tão grande :')

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  7. Parabéns! Trabalhar com livros é óptimo :)

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