Évora, Portugal

Di Casa: entre o aconchego dos amigos e os sabores italianos

6.3.19



Há muito que queria começar uma categoria no blogue dedicada aos sítios onde vou almoçar e jantar. Uma das coisas que eu gosto mais de fazer é cozinhar, sentar-me a uma mesa, saborear pratos novos ou petiscos diferentes, experimentar vinhos únicos e fingir que percebo alguma coisa ao ponto de diferenciar as castas e os toques aveludados blá blá blá. Na minha pequena biblioteca já existem alguns livros de culinária, com a promessa de virem outros tantos mais tarde, no aconchego da minha própria casa. Assim, para mim faz todo o sentido apresentar espaços novos que conheci e adorei, indo ao encontro da nova rubrica do By the Library, "foodie":

"Foodie" é um termo informal para uma classe particular de viciados em comida e bebida. A palavra foi criada em 1981 por Paul Levy e Ann Barr, que a utilizaram no título do livro de 1984 The Official Foodie Handbook. (via Wikipedia)


Na promessa de uma espécie de feriado aportuguesado, na véspera de Carnaval, sempre frio e chuvoso, voltei à casa que me acolheu durante três anos. Évora continua com a mesma sensação de nostalgia que Vergílio Ferreira já falava em Aparição (1959), um sentimento que me pertence por cada vez que volto aos claustros, ao templo romano, à praça do Giraldo. Desta vez fui visitar as minhas amigas, as mais importantes que o meu curso me deu, como fazemos de quando em quando para matar saudades e desocupar a distância entre Évora, Santarém e Lisboa. De braço dado com os nossos namorados, fomos saborear a comida italiana no seu melhor. 

Bem-vindos ao Di Casa.





Uma cadeia de restaurantes que existe também em Lisboa, Vila Nova de Gaia e Estoril e que arranja casa em Évora com vista para o Aqueduto da Água de Prata. Embora não conseguisse ver a paisagem bonitinha do terraço, fiquei encantada com a decoração interior do espaço, elegante e acolhedora. À entrada, damos logo de caras com uma garrafeira de fazer inveja a qualquer apaixonado por vinhos, juntamente com uma bancada em madeira, onde recebem os clientes e onde também se pode pagar no final da refeição, sempre com a promessa de ser feliz.

De casa quase completamente esgotada, sentámo-nos a um cantinho e começámos a fazer os nossos pedidos. Para a entrada, pedimos o clássico pão de alho e pomodoro, ambos em massa de pizza fina, sendo que o último vinha com molho de tomate e pesto. Um facto curioso: há uns anos atrás experimentei pesto e detestei, mas quando dei uma segunda oportunidade a este aperitivo inicial fiquei deliciada com o contraste de ambos os ingredientes.

Nos pratos principais, variámos todos. Como sou meio envergonhada e estava rodeada de muita gente, acabei só por tirar fotografia à minha pizza piccante; sou esquisita no que diz respeito a legumes, principalmente se estiverem crus, mas devorei a minha pizza com rúcula sem problemas, pois o salame acabava por ser o grande protagonista do prato. As minhas amigas foram para a pizza calzone e para os canneloni, enquanto os rapazes preferiram lasanha normal e vegetariana, bem como pollo ai funghi, peito de frango com molho de cogumelos (e reparem como vou adicionando os nomes em italiano para esta opinião/review parecer mais fina e rica; imaginem-me a fazer aquele gesto típico que todos associamos a Itália mas que, em Portugal, é comumente denominado de nheco. Já estão a sentir o requinte?).

As sobremesas foram a grande desilusão da noite, embora ache que depende um pouco da opinião de cada um. Nós, que adoramos comer e esperamos doses industriais de tudo, ficámos um bocadinho tristes com as versões reduzidas da sobremesa, principalmente quando demos de cara com os preços, um bocadinho longe da relação qualidade/preço. Pannacotta com molho de framboesa, mousse de chocolate branco com molho de morangos e tortino di cioccalato, que é como quem diz, os mais conhecidos petit gateau. Estava tudo bom, somente queríamos... Um pouco mais. Percebem, certo?

No final, o jantar ficou sensivelmente 17€-18€ por pessoa. Não fomos propriamente comedidos com o que pedimos, principalmente se juntarmos as bebidas ao barulho, mas digo isto pois tenho a plena noção que não é um restaurante acessível a todos.  Para além do mais, houve algum tempo de espera entre as entradas e os pratos principais, uma queixa que é partilhada por alguns críticos no TripAdvisor e que tivemos de concordar, até certo ponto. Ainda assim, para uma noite descontraída e diferente, adorei a massa fina das pizzas, aquele clássico confortável que só o queijo gratinado nos pode oferecer e, claro, a companhia de amigos num restaurante familiar e elegante. Isso, garanto-vos, vale por tudo.

Para mais informações, consultem a página oficial no Instagram e Facebook.


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2 comentários

  1. Que saudades de ir a Évora *-*
    Não conhecia o Di Casa, mas agrada-me saber que existe também em Vila Nova de Gaia. Acho que, um dia destes, vou ter que fazer uma visita para experimentar

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    Respostas
    1. Não sei como são os outros restaurantes, mas a comida em Évora é divinal, recomendo! :)

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