Em 2017, no final do meu primeiro ano de mestrado em Jornalismo, escrevi este texto sobre a frustração em viver num país que mal consegue cativar nas universidades e faculdades nacionais. Depois disso, passei por uma avalanche de situações que parecem oriundas de uma década, e não de dois anos. Admiti que tinha depressão, ao mesmo tempo que escrevia uma tese para a qual não tinha interesse e que parecia uma espécie de tortura diária na minha vida. Mal sabia eu que, naquele momento, ainda estava muito longe do grande objetivo sinuoso e esgotante de arranjar trabalho. 

Quatro meses após começar a trabalhar, começo a ganhar uma bagagem, quase irrelevante, mas já bem viva no meu quotidiano. É daquelas que cabem nas gavetas superiores dos autocarros, uma que começa, lentamente, a ganhar recheio até lhe ser impossível outro lugar se não na bagageira inferior. Tenho uma opinião que, embora não seja totalmente discordante da que tinha em 2017, é talvez mais madura. E posso dizer que, embora continue chateada com o meu país, acabo por ter algo mais a acrescentar - há uma grande injustiça com a nossa, com a minha geração.






Este mês, por lapso meu, acabei por não anunciar no blogue o tema de abril do nosso clube literário, The Bibliophile Club - um projeto que comecei no início de 2019 em parceria com a Sofia, do A Sofia World, e a Lyne, do Imperium by Lyne. Abril trouxe-nos thrillers e mistérios, um género que está longe de ser a minha zona de conforto, uma que sempre esteve entregue aos mundos fantasiados e universos paralelos. 

Comecei este clube com a noção de que iria experimentar histórias capazes de expandir os meus gostos, fugindo àquilo a que sempre estive habituada. Gosto de policiais, mas não gosto daquela sensação de ansiedade que temos perto do final de qualquer thriller, pois, e apesar de apreciar ser surpreendida, não gosto de me sentir ansiosa, assustada com aquilo que estou a ler. Nem sequer sei se isto fará sentido para vocês, principalmente se forem apreciadores do género, mas isso sempre foi um ponto forte para me afastar deste tipo de livros. Com o tema escolhido por nós para o clube, indo ao encontro de "abril, mistérios mil", sabia que teria de contornar isso. 

E até gostei do resultado. 



Três semanas depois de ter começado a trabalhar, tenho finalmente tempo (disponibilidade e vontade combinadas, para ser sincera) para me sentar em frente ao computador e dedicar-me ao blogue. Para quem não me segue no Instagram talvez não saiba, mas desde o dia 13 de março passei de pseudo-adulta para adulta. Comecei a trabalhar. Uma transição que tem sido tão carregada de boas energias, uma sensação de realização pessoal e de pura felicidade, que ainda nem sei muito bem como o transmitir em pleno aqui, para vocês. Mas vou tentar. 



Há muito que queria começar uma categoria no blogue dedicada aos sítios onde vou almoçar e jantar. Uma das coisas que eu gosto mais de fazer é cozinhar, sentar-me a uma mesa, saborear pratos novos ou petiscos diferentes, experimentar vinhos únicos e fingir que percebo alguma coisa ao ponto de diferenciar as castas e os toques aveludados blá blá blá. Na minha pequena biblioteca já existem alguns livros de culinária, com a promessa de virem outros tantos mais tarde, no aconchego da minha própria casa. Assim, para mim faz todo o sentido apresentar espaços novos que conheci e adorei, indo ao encontro da nova rubrica do By the Library, "foodie":

"Foodie" é um termo informal para uma classe particular de viciados em comida e bebida. A palavra foi criada em 1981 por Paul Levy e Ann Barr, que a utilizaram no título do livro de 1984 The Official Foodie Handbook. (via Wikipedia)



À semelhança do mês passado, onde sugeri 5 romances para entrarmos no espírito apaixonante de Fevereiro, decidi trazer-vos 5 livros de ficção que eu adorei e que falam sobre mulheres. Não sendo necessariamente livros feministas, são muito mais grandes histórias que me marcaram de alguma forma devido à personagem ou personagens centrais, e que nos dizem sempre alguma coisa por sermos mulheres e nos identificarmos com o que é escrito. Paralelamente, também são obras escritas por mulheres, pelo que se não sabem ainda o que pretendem ler este mês para o The Bibliophile Club, aqui ficam estas 5 sugestões que eu adorei



Num dos infinitos scrolls que estava a fazer no Twitter, encontrei este vídeo, onde uma das personagens principais, Jake Peralta (Andy Samberg), obriga os suspeitos de um crime a cantarem Backstreet Boys para identificarem o culpado. Com apenas 1:17 minutos, Brooklyn Nine-Nine conquistou-me por completo. Na altura, contudo, eu não podia saber que aquele momento era apenas a ponta do iceberg, e que ao começar a ver esta série de comédia hilariante passaria a considerá-la como uma das minhas favoritas de sempre. 



O nosso clube literário continua a funcionar da melhor forma possível. The Bibliophile Club conta já com mais de 130 pessoas no grupo oficial do Facebook, um número que eu ainda questiono por achar quase impossível haver tanta gente interessada e disposta a aderir. É lá que nós anunciamos de antemão os temas de cada mês e, com Março à porta, já sabemos o que é que vamos ler. 



Quase no final do mês, mas ainda a tempo. Chegou, por fim, a leitura do mês para o The Bibliophile Club, o clube literário começado no início de 2019 em parceria com a Sofia e a Lyne e sobre o qual podem saber tudo aqui. Um livro que começou com uma viagem atribulada e um tanto decepcionante, mas que compensou com o desenrolar do enredo. "A Serpente do Essex" foi o romance escolhido e acabou por surpreender pela positiva ao sabor da nostalgia pantanosa de Aldwinter.



No ano passado decidi trazer-vos as minhas histórias de amor favoritas no mundo da ficção, e este ano resolvi sugerir cinco romances perfeitos para este mês dedicado ao amor. Penso que é necessário informar novamente os leitores desse lado que sou uma grande apologista desta espécie de feriado capitalista, não pelo consumo desenfreado mas pela oportunidade de ter um dia especial onde oferecemos (ainda mais) amor e carinho à nossa pessoa favorita.

Posto isto, estas recomendações de romances não servem apenas para o Dia de S. Valentim, mas também para o tema do mês do nosso The Bibliophile Club, que em Fevereiro foi dedicado, sim, aos romances e sobre o qual podem saber tudo aqui.




Depois de entregar os papéis da bolsa escolar para o meu segundo ano de mestrado, cheguei a casa já a meio de um ataque de ansiedade. Começou no meio da rua e acabou no meio da cozinha. Chorava, chorava, chorava. Gritava, gritava, gritava. Ainda nem sequer me tinha matriculado na universidade mas tinha já ali, na garantia de ter novamente apoio académico, a sensação de que estava a ser puxada entre a espada e a parede. Este episódio aconteceu há um ano e meio, sensivelmente. Meses depois, nem sei eu muito bem como... Sou mestre. Uma afirmação que ainda não sei bem como digerir. 



A chegar ao fim o primeiro mês do nosso clube, vem também a altura de anunciar o tema e livro escolhido para Fevereiro. Para quem não sabe do que estou a falar, The Bibliophile Club é um clube literário que comecei em 2019 com a Sofia e a Lyne. Para Janeiro, escolhemos o tema de não-ficção, o género literário perfeito para dar o boost necessário ao início do ano. Em Fevereiro, no entanto, e porque este é um mês que ronda constantemente o eterno S. Valentim, escolhemos romances



Há uns meses atrás voltei a ter um ataque de ansiedade. Fui sair à noite com o meu namorado e uns amigos e acabei num estado tal que a festa acabou mais cedo para toda a gente. Houve uma montanha russa de emoções que passou por mim, variando entre a frustração de nunca mais conseguir acabar com esta merda de incidentes que, de uma maneira ou de outra, controlam a minha vida, e o sentimento de culpa de ter estragado mais uma noite com a minha saúde mental. 



A segunda leitura de 2019 já andava aqui a rondar a minha wishlist há imenso tempo. Eleanor Oliphant is Completely Fine (2017), de Gail Honeyman, é um romance psicológico que mexe connosco do princípio ao fim. Mesmo que a vossa vida nunca tenha tocado na imensidão de problemas que caracterizam o quotidiano da personagem principal, é impossível ficar indiferente à forma cativante e cheia de profundidade com que Honeyman escreve. 



Há uns dias fiz um questionário no Instagram, pedindo novas sugestões aqui para o blogue e ideias de publicações para escrever por aqui. Pediram-me para falar sobre os livros que quero ler nos próximos meses e, bem, aqui estou eu. Preciso de deixar um pequeno aviso antes de passarmos para o que interessa: sou um bocado instável nas minhas decisões. Mudo de livro como quem muda de cuecas quando é altura de decidir a próxima leitura, dependendo do meu estado de espírito e inspiração. Talvez seja por isso que não consegui completar a tbr de Dezembro, mas pronto. Vamos tentar na mesma. 



Acabei a primeira leitura do ano. Paralelamente, acabei também a primeira leitura para o The Bibliophile Club, o nosso clube literário de 2019 sobre o qual podem saber tudo aqui. "A arte subtil de saber dizer que se f*da" esteve nas bocas do mundo no ano passado, Portugal incluído. 

Havia várias razões para estar reticente em relação a esta obra. Havia reviews de pessoas cuja opinião estimava bastante que afirmavam ter detestado o livro. Não sou propriamente a maior fã de livros de não-ficção (é mais preguiça, algo que quis parar e onde o clube me ajudou imenso). E não sou, definitivamente, fã de livros de auto-ajuda que expõe a solução para todos os nossos problemas. "Quer perder peso? Encontre no seu interior a força necessária e o unicórnio libertador que há em si". Por essas razões e mais algumas, fui de pé atrás. Resultado? Este livro tornou-se num dos meus favoritos de 2019 - já, sim, eu sei. 



Um dos projectos que mais me deixam absolutamente extasiada em 2019 é, sem sombra para dúvidas, o meu clube literário. Se não sabem do que estou a falar, o The Bibliophile Club foi criado por mim, pela Lyne e pela Sofia com o intuito de criar um espaço interactivo onde se falasse sobre livros sem pressão ou obrigatoriedade. Se quiserem saber mais sobre ele, podem ler a publicação introdutória aqui. Hoje, falo um pouquinho mais sobre o tema de Janeiro e o livro escolhido para este mês, que promete ser super interessante. 



Perdi a conta da quantidade de publicações (e vídeos) que criei acerca do final de ano e de tudo aquilo que se passou em 2018. Presumo que às vezes seja bom começar um novo ciclo com honestidade, e é precisamente dessa forma que começamos 2019 por aqui. Não vamos ter o top dos melhores livros do ano. Não vamos ter bucket list para 2019. Nem sequer vamos ter um throwback às melhores memórias do ano passado - tudo coisas que cheguei a fazer anteriormente aqui no blogue. A única coisa que vamos ter é agradecimentos. E um pequeno descanso antes de continuar a remar contra a maré.