23.11.18

Os meus 5 livros favoritos (ou a lista mais difícil de sempre)



Dois anos a escrever para vocês e nunca escrevi sobre isto. Já falei em algumas publicações sobre um ou outro livro que me marcou de forma muito especial, mas nunca escolhi abertamente o meu top 5. Talvez por ser tão difícil decidir-me só por 5, ou a ideia de que por um estar em primeiro lugar, é imediatamente superior ao que vem a seguir. Talvez o disclaimer necessário aqui parta por não pensarem que a ordem decidida aqui não é especial; todos os livros escolhidos foram especiais à sua maneira e, como tal, todos eles estão em primeiro lugar no meu coração. 



As Intermitências da Morte (2005), por José Saramago

Já tinha falado um pouco sobre este livro na publicação dedicada aos 5 livros favoritos de autores portugueses e africanos. A verdade é que esta história merece todas as menções e mais algumas e continua a ser tão importante para mim como da primeira vez que o li em 2014. Foi o livro que me ofereceu Saramago de uma maneira que Memorial do Convento (1982) nunca conseguiu na escola secundária. A sua mensagem, que nos leva para a desvalorização da mortalidade quando sonhamos com a eternidade, entre outras coisas, fez-me entender a verdadeira genialidade de Saramago enquanto escritor. No meio de uma história de amor sobrenatural, o autor cria toda uma panóplia de situações imaginárias baseadas no que aconteceria se, porventura, deixássemos de morrer. O mundo que ele criou a partir desta ideia, na minha honesta opinião, é um dos melhores exemplos do porquê de Saramago ser um dos melhores autores que Portugal teve (e tem).

Fui à procura da review que fiz em 2014 na Goodreads e achei imensamente curioso como a minha opinião mudou tanto após todos estes anos. "Definitivamente merecedor das 4 estrelas. Não sou fã dele, mas cativou-me com este livro, por certo", foram as últimas duas frases com que descrevi este livro. Hoje, vejo As Intermitências da Morte como um livro de 5 estrelas e sou, sem sombra de dúvidas, uma fã incondicional da sua escrita, principalmente após a leitura de Ensaio sobre a Cegueira (1995).

Orgulho e Preconceito (1813), por Jane Austen

Sinto que faço parte de um estereótipo (o que, só por si, já é paradoxal porque também estou a estereotipar ao dizê-lo) quando digo que a história de Elizabeth Bennet e Mr. Darcy é das minhas predilectas, mas que se lixe. Confesso que o meu coração romântico desfaz-se em mil bocadinhos cada vez que leio este livro - ou vejo o filme de 2005, hit me up Matthew MacFadyen. Adoro romances que exploram a cultura dos séculos passados, adoro saber mais sobre a aristocracia inglesa (ou de qualquer outro país, para ser honesta) e adoro histórias de amor entre duas pessoas de classes diferentes, que acabam por ser proibidas ou vistas com maus olhos. Sim, sou um grande cliché, mas nem quero saber. 

Porquê Jane Austen, no meio de tantas outras escolhas? Fiquei fascinada com a mentalidade da escritora, pois Orgulho e Preconceito é também uma grande sátira à forma como despachavam as mulheres para o casamento na altura. A ironia que oferecia às personagens e ao enredo em si mostrava uma mulher muito à frente do seu tempo, algo que me conquistou de imediato.

Fangirl (2013), por Rainbow Rowell

Sabem quando têm aquela sensação de que um livro foi escrito para vocês? Foi exactamente como me senti ao ler Fangirl. Depois de Eleanor & Park (2012), este foi o segundo livro que li da autora, oferecido no meu aniversário por uma das minhas melhores amigas, e é precisamente o tipo de obra que capta a essência do género young adult, mas de uma forma muito mais íntima e pessoal por estar relacionada com quem nós somos - com quem eu sou, mais concretamente.

Cath é escritora de fanfiction (oiiiiii) dos livros de Simon Snow, uma saga fictícia. É mais ou menos famosa no mundo virtual por causa daquilo que escreve e não consegue ver nada mais à frente para além disso. Paralelamente, é também um tanto introvertida e sente-se desconfortável e ansiosa quando está com outras pessoas que não a sua irmã gémea, a pessoa com quem sempre partilhou tudo. Fangirl acaba por ser uma história de descoberta, pois Cath aprende a viver para lá da sua escrita e do mundo confortável que criou em torno da sua irmã, do seu pai e dos livros de Simon Snow. Acabou por me tocar imenso pois, de uma maneira não muito similar, mas ainda assim parecida num certo sentido, também tive que aprender a lidar com outros mundos que não aqueles que eu criei na escola secundária, fosse na universidade ou com os amigos que fiz.

Comer, Orar, Amar (2006), por Elizabeth Gilbert

Só li este livro uma única vez porque tenho medo de que se o voltar a ler passados tantos anos, não vou achá-lo tão espiritualmente brilhante como achei na altura. Este foi um daqueles casos em que descobri o filme por acaso numa sessão de zapping extremamente aborrecida e acabei apaixonada. Obriguei os meus avós a comprarem-me o livro e senti-me numa espécie de experiência transcendental, acompanhando Elizabeth Gilbert naquilo que foi uma viagem completamente invulgar e única na sua vida. Senti a importância das suas palavras em tudo, seja na parte religiosa ou na parte de descobrir o amor. Acabei com uma sensação de mudança como se também eu tivesse viajado a Itália, Índia e Indonésia, apesar de nunca ter saído do meu quarto. 

A verdade é que não sei se alguma vez vou voltar a ler Comer, Orar, Amar, mas sei que foi daquelas leituras que precisava de ler na altura e mesmo perante as opiniões tão divididas em relação a esta história (imensa gente acha o livro aborrecido e longe de ser life changing) continua a ser uma obra que me diz muito no meu coração. 

Milk and Honey (2014), por Rupi Kaur

Acabo esta lista com um livro que se encontra nos meus favoritos de momento. Aliás, todas as obras referidas podem desaparecer amanhã, daqui a uma semana, daqui a um mês. Existem muitos outros livros que eu adorava falar e que estão também na minha lista, talvez num top 10 ou top 15. Mas Milk and Honey foi talvez dos mais importantes para mim nesta fase por que estou a passar, e eu sou muito de olhar para certas histórias e oferecer-lhes uma importância enorme mediante o quanto me ajudaram nas alturas mais complicadas da minha vida. 

Rupi Kaur não é a poeta predilecta de muita gente. Para certas pessoas, nem sequer é considerada uma poeta, algo que eu vejo um bocadinho de lado, mas que acabo por desligar pois cada um tem a sua opinião, naturalmente. Para mim, Kaur vai ao encontro da nossa alma e fala sobre aquilo que nos magoa o coração de uma maneira implacável. Felizmente, há imensas coisas com as quais eu não me consigo relacionar, nomeadamente a experiência dela ao ser violada. Mas a forma como ela descreve a depressão, a falta de auto-estima, o sufoco que sentiu em relações anteriores - esses sim, foram temas que bateram bem no fundo e deixaram uma marca. A simplicidade da sua poesia é ainda mais arrebatadora, pois com poucas palavras consegue-nos dizer tudo. Se quiserem saber um pouco mais sobre a minha opinião da sua poesia, leiam esta publicação.




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** Por vezes, prefiro sugerir a edição em inglês em vez da portuguesa por achar que se perde algo essencial na tradução. Milk and Honey é um desses casos onde vale muito mais a pena ler na língua original. Se, ainda assim, preferirem ler em português, deixo-vos aqui o link para compra

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12 comentários

  1. Nunca li nenhum dos que mencionaste. No entanto, o fangirl está na minha lista há anos.

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    1. Fangirl é muito amor! Mas também conheço muita gente que não achou nada de especial. Acho que depende para cada pessoa :)

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  2. É sempre complicado fazer uma seleção desta natureza, porque são poucos lugares para tantos livros que acabam por nos inspirar. Mas, naturalmente, há sempre obras que se destacam.
    Partilho, inteiramente, «Orgulho e Preconceito»! E quero muito ler «As Intermitências da Morte» e «Milk and Honey»

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    1. "Orgulho e Preconceito" vai sempre ter um lugarzinho especial no meu coração. Escusado será dizer que recomendo vivamente os restantes que mencionaste :)

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  3. Fangirl também é um dos meus livros favoritos!
    Ainda tenho de voltar a ler Saramago. Como dizes Memorial do Convento não me conseguiu agarrar e acho que há outros dele capazes disso. Acho que em 2019 vou tentar ler mais coisas dele..
    Beijinhos*

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    1. "Memorial do Convento" foi o livro que confirmou o que toda a minha família dizia acerca da sua escrita impossível de se aguentar. Perdia-me constantemente e achei a história um tanto aborrecida. Estava convencida que nunca mais iria ler nada dele e pronto, na universidade isso mudou completamente. "As Intermitências da Morte" e "Ensaio sobre a Cegueira" são dois livros maravilhosos e brilhantes, na minha opinião :)

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  4. Uma ótima lista! O meu favorito de Saramago é o Ensaio sobre a Cegueira. Milk and Honey amei <3

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  5. "As intermitências da morte" e "Comer, orar e amar" também são dos meus livros preferidos de sempre :)

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