"Uma Magia mais Escura", por V. E. Schwab

22.5.18



Para uma pessoa que se intitula de book blogger, as leituras por aqui deixam muito a desejar. Ando a tentar orientar a minha vida e a pensar noutras coisas, acabando por perder um bocadinho a vontade ler. Ou de fazer o que quer que seja. Mas, relaxem. Pareço estar finalmente a entrar no ritmo normal e, recentemente, acabei Uma Magia mais Escura (2015), o primeiro livro de uma trilogia do género fantástico que tem estado na ribalta há já algum tempo.




A premissa tem tudo para chamar a nossa atenção. Kell é um Antari, um ser mágico que consegue viajar entre vários mundos paralelos. Neles, um ponto geográfico parece ser semelhante nas várias dimensões: Londres. Há a Londres Branca, a Londres Vermelha, a Londres Cinzenta e em tempos houve uma Negra, antes de ser destruída pela própria magia e fechada a passagem para o seu mundo. Ou assim se pensou, até ao dia em que Kell, contrabandista de objectos entre os vários mundos, vai ao encontro de uma pedra repleta de magia que pertencera à Londres Negra. Assim, a nossa personagem principal vê-se na obrigação de destruir a pedra antes que a magia consuma as restantes dimensões paralelas, encontrando uma série de obstáculos e perigos que tornam a narrativa emocionante e perigosa.

***

Pessoalmente? Acho que dá para ver pela minha falta de entusiasmo no resumo que não foi dos meus livros preferidos. Não me interpretem mal: a história é, de facto, muito interessante. Tudo o que involve mundos paralelos parece-me sempre super entusiasmante, pois parte muito da capacidade de imaginação do escritor ao criar diferentes pontos de acção - e sim, isto é a veia de escritora também a falar. Schwab é muito criativa nesse processo pois consegue envolver o mundo humano (L. Cinzenta), o mundo mágico e bonitinho (L. Vermelha), e o mundo distópico onde a magia é algo que só os mais fortes merecem, ainda para mais num regime anárquico e ligeiramente fascista (L. Branca). Portanto sim, chama-nos a atenção ao oferecer-nos algo completamente diferente no género fantástico em comparação aos livros actuais da mesma categoria.

O que faltou aqui? Mais velocidade na narrativa. Demorei muito a entrar na história, o que acabou por me tirar o interesse quando as coisas começaram a ficar interessantes e próximas do clímax da história. Ainda assim, sei que isto é uma opinião pessoal, pois a verdade é que as reviews no Goodreads são mais do que positivas e muita gente adorou o primeiro livro da saga.

4 coisas que fazem com que o livro (ainda assim) valha a pena:


1. Delilah Bard. A personagem feminina que me salvou o livro a meio da história. Ladra de rua, é uma mulher forte e de personalidade única, com um desejo enorme de conhecer o mundo e mudar de vida. É carismática e uma lutadora, e encontra Kell por acaso, tornando-se numa espécie de companheira de viagens entre as várias Londres. 

2. Magia funciona como um ser vivo. É como se tivesse controlo sobre si mesma, razão pela qual a Londres Negra de que vos falei acima acabou por ser destruída, pois a magia apoderou-se da vida, corrompendo-a. Ainda que haja vilões nesta história, o grande perigo acaba por ser a própria magia, o que é uma característica diferente no género fantástico e que achei interessante. 

3. A escrita é um pouco melancólica e algo negra. Não é uma narrativa que começa com sol e arco-íris, mas uma história onde a humanidade prevalece, ainda que no meio da magia. Kell não é o herói perfeito, tendo inclusive um lado negro que sai algumas vezes para protecção do seu irmão Rhy ou em situações limite. A própria escrita é elegante, algo clássica, e deixa-nos com uma sensação de melancolia ao nos depararmos com vários mundos longe de serem ideais. 

4. Rhy Maresh. O irmão de Kell foi talvez a personagem que mais gostei (tirando a Lila), mas foi também a que apareceu menos, deixando-me um pouco desiludida. É muito sarcástico, tendo a fama de ser o bad boy da realeza da Londres Vermelha, quando na realidade é um homem que sente muito, que quer fazer justiça pelo seu povo e que é adorado por todos os que o conhecem. Espero que no segundo livro possa ler mais sobre ele. 



Acho, no entanto, que não vou desistir da saga. Já não é a primeira vez que não fico nada entusiasmada com os primeiros livros de uma série literária, acabando depois por me surpreender com a continuação. Só não sei quando é que isso vai acontecer, pois comprei Uma Magia mais Escura em português, já há algum tempinho, e o segundo volume nem vê-lo. Editora Minotauro, I'm waiting! 👀😜

COMPRAR: Wook [PT] & Book Depository [ENG]. 

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  1. Sempre com críticas fabulosas, minha querida!
    Desmotiva sempre um pouco quando demoramos a relacionar-nos com a história, principalmente quando a sinopse nos deixa tão entusiasmados. Apesar disso, acho que fazes bem em não desistir já da saga, precisamente pelo que referiste :)
    Não é o género literário que mais leio, como sabes, mas os quatro aspetos que mencionaste deixaram-me curiosa. E acho que também me iria identificar com as duas personagens em destaque

    Beijinho grande

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    1. Obrigada, minha querida Andreia! ♥️
      Eu sei que não é de todo um dos teus géneros favoritos, mas a fantasia acaba por ter uma forma de se relacionar com o nosso dia-a-dia que me impressiona sempre. O facto de haver uma Londres fascista e corrupta é talvez o exemplo máximo de como a fantasia fala também do que é importante da nossa sociedade. E embora saiba que é um género que não é para todos, também acho que há sempre qualquer coisa na fantasia que intriga o leitor comum. Talvez só tenhas que encontrar o teu livrinho especial para te encantares com este mundo ;)

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  2. Ora muito bem, encontrei um teu blog numa caixa de comentários de um outro blog, em que numa troca de pontos de vista sobre aceitação corporal, revi-me completamente nas tuas palavras. Por isso decidi vir espreitar se essa identificação se prolongava... Eis que quando entro no teu blog não poderia ter ficado mais contente com o que vi! Gosto de tudo! Desde o design convidativo aos posts com conteúdo interessante e meu gosto! Cheira-me que vou andar por aqui a passear mais vezes! :)

    Beijinhos,

    Daniela

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    1. Querida Daniela. Desculpa a resposta tão tardia a este comentário, mas tenho andado um pouco ausente aqui pela blogosfera. Já sigo o vosso blogue há algum tempo e acredita quando digo que essas palavras são muito importantes para mim. Mesmo não sendo tão consistente aqui no blogue, por agora, espero que continues a identificar-te com o que publico por aqui e que te sintas sempre à vontade no meu cantinho. Muito, muito obrigada! <3

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  3. Pela sinopse que escreves do livro fiquei interessada na história :)
    Às vezes há livros que até tinham potencial para ser melhores ou nos 'prenderem' mais, mas que têm algo que acaba por desmotivar um pouco, como por exemplo a velocidade da narrativa como referiste!
    Se o encontrar tenho de ler 1 ou 2 páginas a ver se gosto da escrita, porque o género de fantasia sempre foi algo que gostei muito :)

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