4.4.18

MOVIE 36 // Wonder (2017)


Já vi os três filmes do mês de Abril para o MOVIE 36, o projecto já bem conhecido aqui por este canto. Ainda assim, resolvi falar-vos em detalhe deste, por ser daqueles que nos contam histórias importantes, merecedoras de toda a nossa atenção. Também porque me fez chorar baba e ranho do princípio ao fim, e embora isso seja uma imagem nada exagerada e definitivamente nojenta da minha parte, acho que dita algo importante: uma história que causa tanta emoção cá dentro merece ser celebrada. Nada melhor do que fazê-lo através da escrita.

Primeiro que tudo, deixem-me dizer-vos: o filme foi bom, sim, mas não se compara ao livro. Para além da minha review no Goodreads, cheguei a mencionar o livro de R. J. Palacio como um dos meus 5 livros preferidos de 2017. Sempre achei que fosse uma história muito humana, que não só aborda uma doença complicada e rara, como também dá importância às pessoas que vivem em torno dessa doença, como os familiares e amigos, para além da personagem principal.

Para além disso, é uma história que nos ensina sobre sermos bons. Bons sem preconceito, bons com humildade, bons com coração. Através de uma perspectiva infantil, passa para lá da mente preconceituosa dos adultos e chega ao que é importante: a bondade das crianças, o berço do nosso futuro - um onde todos sejam aceites e amados por aquilo que são.

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Passemos ao filme. Lembram-se de Jacob Tremblay? Este menino-prodígio ficou mundialmente conhecido com a sua interpretação fenomenal em Room (2015), filme que esteve nomeado para várias categorias dos Óscares em 2016. Depois disso, Tremblay foi indicado para fazer de Auggie Pullman, o menino com Síndrome de Treacher Collins que vai pela primeira vez para a escola básica, depois de ter estudado em casa com a mãe do primeiro ao quarto ano de escolaridade. E Jacob é, deixem-me dizer-vos, excelente em tudo o que faz. Com 11 anos, acho que já é um dos meus actores favoritos, já capaz de captar a emoção e a dor humana em tão tenra idade.

Esta história faz-nos doer por várias razões. Primeiro, é narrada através da perspectiva de uma criança que se sente horrível, disforme, humilhada, diferente. Que só deseja ter amigos, sentir-se inserido num grupo, ter uma infância minimamente normal. Segundo, e por muito que não seja equiparável o sofrimento entre personagem e leitor, é difícil não nos relacionarmos com o preconceito, bullying e depressão que Auggie sente, pois muitos de nós já nos sentimos deslocados, maltratados, magoados e humilhados. Esta combinação, pelo menos para mim, levou-me para um patamar de sufoco. A maldade infantil é, infelizmente, inevitável. Seja através de comentários que se ouvem em casa ou ideias que surgem na escola, ninguém está preparado para situações de gozo e insulto. Vermos uma criança tão doce, que já passou por tanto na vida e em tão poucos anos, que merece amor e carinho, que se quer sentir normal, a passar por essas experiências deixou-me destroçada. E simultaneamente encantada.

Porque, lá está, é uma história com final feliz. A mensagem que nos querem transmitir é a de aceitação e bondade, não só por parte dos outros, mas principalmente de Auggie. Uma criança que para lá de toda a maldade, escolheu sempre ser boa, perdoando o preconceito dos que o rodeiam, conseguindo os amigos que sempre quis.

O único ponto negativo do filme: o final. Não por não ter sido bem concebido, mas por faltar um discurso muito mais emocionante, que nos faz entender a verdadeira mensagem e importância de Auggie. O director da escola, Mr. Tushman, oferece um prémio especial a Auggie, e é o porquê, através do sentimento que claramente nutre pela personagem principal, que ficou um pouco a desejar na versão cinematográfica. Ainda assim, é um filme que devia ser obrigatório toda a gente ver, na minha modesta opinião. Talvez através desta review consigam perceber o porquê.




Deixo-vos com uma das minhas frases favoritas do livro:
COMPRAR O LIVRO: Wook [PT] & Book Depository [ENG] *


 “If every person in this room made it a rule that wherever you are, whenever you can, you will try to act a little kinder than is necessary - the world really would be a better place. And if you do this, if you act just a little kinder than is necessary, someone else, somewhere, someday, may recognize in you, in every single one of you, the face of God.”



MOVIE 36 // PARTICIPANTES

Criado por a Carolayne, do blogue IMPERIUM, em parceria com a Sofia Costa Lima, do blogue A Sofia World.

Francisca Gonçalves, Francisca ● Inês Vivas, Vivus ● Alice Ramires, Senta-te e Respira ● Vanessa Moreira, Make it Flower ● Cherry, Life of Cherry ● Joana Almeida, Twice Joaninha ● Joana Sousa, Jiji ● Inês Pinto, Wallflower ● Carina Tomaz, Discolered Winter ● Sofia Ferreira, Por Onde Anda a Sofia ● Rosana Vieira, Automatic Destiny ● Abby, Simplicity ● Sofia, Ensaio sobre o Desassossego




* // Ao comprares estes livros através dos links fornecidos neste post, estás a contribuir para mais leituras (e mais reviews) aqui pelo blogue!

9 comentários

  1. Fico sempre feliz quando vejo que tens uma nova publicação. De coração, adoro a tua escrita. E a forma fascinante como expões as tuas ideias/opiniões. É por espaços como este que sei que valerá sempre a pena fazer parte da blogosfera <3

    Quero muito, muito conhecer esta história a fundo! E tenho adiado ver o filme, precisamente por querer começar pelo livro.
    Do pouco que já fui lendo, sinto que é mesmo um testemunho poderoso, que nos obriga a repensar a forma como tratamos os outros. E, depois, também sinto que é uma história que não se limita a ela próprio, isto é, facilmente poderemos adaptar a outros problemas, que implicam aceitação.

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    1. Nem sei reagir a essas palavras, querida Andreia! Obrigada, isso significa muito para mim. É através de comentários como estes que fico com mais certezas de que estou no patamar certo, dando-me ainda mais vontade de continuar a escrever, tanto no blogue como fora dele!

      A história é como dizes, muito poderosa. O livro consegue captar a essência humana muito bem, a dor não só da personagem principal como dos amigos e familiares que a rodeiam. É um ensinamento de vida, também. Acho que todos devíamos ler o livro. E o filme, bem, acho que é uma boa homenagem à história. Acho que conseguiram captar a importância da narrativa. :)

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    2. Não tens que agradecer, só disse a verdade :)
      Estás mesmo, não duvides! Assim como não duvido que continuarás a crescer imenso, no blogue e na tua escrita

      Isso é maravilhoso!

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    3. Mais uma vez, muito obrigada! De coração cheio :')

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  2. Concordo com o que disse a Andreima Morais acima e já tu tinha dito. A tua escrita é tão cativante que leio qualquer coisa tua <3, mesmo que seja um filme que, à partida, não seja o meu género. Já vi filmes e li livros que não leria se não fossem as tuas reviews.
    Passando ao post, também li o livro e vi o filme e, concordo, apesar de o filme ter sido lindo, o livro é muito melhor. Até porque tinha aqueles lemas mensais do professor.
    E também senti isso com esta história, muito embora a situação do Auggie seja algo pela qual nunca iremos passar, todos nós já nos sentimos humilhados, diferentes e deslocados.
    Houve uma cena no filme ( e se alguém que não tu esteja a ler o meu comentário, aviso já que é um spoiler) que me chamou à atenção. Quando os pais de um bully ( agora não me recordo do nome) são chamados ao gabinete do diretor por causa de todos aqueles bilhetinhos maus que o Auggie recebeu, os pais tentam justificar as ações do filho, dizendo que alguém com as deformações que ele tem não devia estar no ensino regular. Isto é algo que eu vejo a acontecer frequentemente (o meu pai é professor), e que nos mostra onde começa o preconceito. As crianças não nascem preconceituosas, elas aprendem a sê-lo em casa, na família. Se em casa houvesse mais educação no sentido de aceitarmos as diferenças dos outros (sejam elas quais forem, quer sejam casos assim como doenças, ou diferenças mais subtis), teriamos uma sociedade muito mais inclusiva e não teríamos metade dos problemas que temos hoje em dia.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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    1. Oh, obrigada Cherry! ❤ Não considero a minha escrita assim tão boa, mas fico sempre sem palavras quando me dizem coisas assim. É sinal que estou a ir por um bom caminho, eheh.

      Concordo completamente contigo! Os lemas mensais eram a melhor parte, parece que nos levavam para o caminho certo, faziam parte da mensagem que a história queria transmitir. E acho que a cena com o director, dos pais do Julian, foi muito bem concebida, pois mostrou o que muitas vezes acontece em situações de bullying: em casa existem pais que educam os filhos no meio de preconceito e estereótipos.

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  3. r: Em parte, eu consigo entender esse estigma, porque, como existem várias figuras públicas a lançar livros, parece que todos nasceram dotados para a escrita. O que não acontece e pode levar a que as pessoas se distanciem (e, claro, como o nome vende mais depressa, isso também pode contribuir)
    Sim, pode ser muito por isso. Como não é um estilo que te cativa, a opinião acaba por ser muito semelhante

    Quem procurar uma leitura mais leve, aquele pode ser uma excelente opção :)
    Muito obrigada, minha querida!

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  4. Não li o livro, mas vi o filme - até já falei dele no blog - e adorei. Acredito que o livro seja ainda mais especial.
    O filme é tão simples de ver, mas transmite-nos tanta coisa. O Auggie é amoroso e acaba por nos fazer vibrar e sentir as coisas quase como ele sente. Querer chorar com ele, querer rir com ele. É um filme maravilhoso.

    Em relação ao Jacob Tremblay, também partilho da mesma opinião que tu. Também já vi "Room" e este miúdo vai longe. Duas prestações incríveis para alguém tão novo.

    Gostei muito de ler a tua review, como sempre :)

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    1. Muito obrigada, querida Mary! E mal posso esperar para ver os próximos papéis de Jacob, acho que nos vai continuar a surpreender à medida que vai crescendo!

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