16.2.18

MOVIE 36 // I, Tonya (2017)



Tonya Harding, um nome que me era totalmente desconhecido até ao aparecimento do filme biográfico que conta a sua história, mas que, provavelmente na cultura americana, é ainda dos mais mencionados de sempre, principalmente entre fãs de patinagem no gelo. I, Tonya (2017) acabou por ser o filme que estreou a minha época oficial dos Óscares, abordando a história que acabou sem um final feliz, sem floreados e de forma muito crua, autêntica. 



Embora não ligue tanto a livros deste tipo, a verdade é que adoro filmes biográficos. Há sempre algo que nos prende ao descobrirmos a história de alguém que não é ficção, alguém que é de carne e osso e que, de uma maneira ou de outra, ficará sempre marcado na nossa cultura. Dependendo da abordagem do realizador, romantizamos a vida de uma celebridade ou de uma personagem ou escolhemos transmitir simplicidade sem imparcialidades, a verdade acima de tudo.

I, Tonya pertence a esse tipo de filmes, sem decorações ou pretensões. É o tipo de filme que muitos contradizem ao dizerem que acaba por ser uma justificação das acções da atleta. Discordo completamente com essas opiniões; a única coisa que ficamos realmente a saber é o passado de Tonya, o background emocional que a tornou numa mulher desequilibrada e agressiva. Mas já lá vamos.



Tonya Harding (Margot Robbie) começou como patinadora no gelo desde muito cedo: com apenas quatro anos de idade, sensivelmente. A sua mãe, LaVona Golden (Allison Janney), era quem lhe fazia os vários fatos necessários para as competições, ao mesmo tempo que entregava grande parte do seu salário, enquanto empregada de mesa, para as despesas que a patinagem artística obrigava. Durante a sua adolescência, Tonya não só patinava como também caçava e aprendia tudo sobre mecânica através do seu pai, Albert Harding, que eventualmente saiu de casa, deixando-a sozinha com a mãe. Acho que é aqui que começamos a entender um bocadinho a história de Tonya: para além disto, a sua relação com LaVona era extremamente abusiva, tanto física como emocionalmente. A mãe incitava-a a ser a melhor, ao mesmo tempo que a humilhava, insultava e batia.

O contraste existente na sua infância e adolescência teve consequências nas competições de patinagem: Tonya era claramente a típica redneck americana, um estereótipo pejorativo dedicado a pessoas brancas, pobres e geralmente tradicionalistas e conservadoras. Entre a caça, a mecânica e a patinagem, Tonya era uma jovem atlética muito... Bruta, sem a graciosidade e feminilidade que os júris esperam de uma patinadora artística.

tumblr

Mesmo com aquilo que são considerados pontos negativos numa arte que se preza pela fragilidade e beleza feminina, Tonya destacou-se sempre, tendo sido a primeira mulher a conseguir fazer um triple axel numa competição internacional, algo que nunca antes tinha sido conseguido. A partir daí, a sua carreira teve vários altos e baixos até à polémica com Nancy Kerrigan, outra patinadora que foi atacada com o intuito de lhe partirem uma perna para não competir nas Olímpicas de 1994.

Embora o ataque tenha sido orquestrado pelo ex-marido, Jeff Gilloly (Sebastian Stan), Harding foi condenada por ter conhecimento do que ia acontecer e, ainda assim, mostrar-se indiferente, independentemente de quem ordenou o crime. Eventualmente, Tonya foi proibida de voltar a patinar, depois de competir nos Jogos Olímpicos de 1994 e não ter conseguido actuar devido a um problema sério com os seus patins. E assim terminou a carreira de Tonya Harding como patinadora. 




Este filme começa como um relato direccionado a nós, espectadores. Não apenas com a perspectiva de Tonya, mas com a opinião de todos os envolvidos. No final, acaba por ser uma espécie de biografia onde não se confirma verdade nenhuma, pois os diferentes pontos da história empilham-se uns em cima dos outros sem se perceber onde está, exactamente, a razão. Acaba por ser um filme maravilhoso por isso mesmo, pois não é um filme sobre o ataque a Nancy Kerrigan, mas sim um filme sobre como Tonya chegou àquele ponto, simplesmente. Não uma justificação, mas sim um entendimento do porquê.  

O que se destaca, principalmente, é o trabalho maravilhoso dos actores, especialmente Margot Robbie e Allison Janney, ambas com nomeações para Melhor Actriz e Melhor Actriz Secundária, respectivamente. Duvido que acabem por ganhar algum dos Óscares, mas as suas performances são, ainda assim, fantásticas.

Já viram I, Tonya? O que acharam? 



MOVIE 36 // PARTICIPANTES

Criado por a Carolayne, do blogue IMPERIUM, em parceria com a Sofia Costa Lima do blogue A Sofia World.

Francisca Gonçalves, Francisca ● Inês Vivas, Vivus ● Alice Ramires, Senta-te e Respira ● Vanessa Moreira, Make it Flower ● Cherry, Life of Cherry ● Joana Almeida, Twice Joaninha ● Joana Sousa, Jiji ● Inês Pinto, Wallflower ● Carina Tomaz, Discolered Winter ● Sofia Ferreira, Por Onde Anda a Sofia  Rosana Vieira, Automatic Destiny ● Abby, Simplicity ● Sofia, Ensaio sobre o Desassossego

9 comments

  1. Vi, muito recentemente, o trailer deste filme e fiquei bastante curiosa. A história pareceu-me interessante, por causa desse lado biográfico e por estar inserido num meio que me atrai: patinagem artística
    Tenho mesmo que o ver!

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  2. Nunca vi e ainda não tinha ouvido falar, mas fiquei bastante curiosa :)

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  3. Não sei porquê, mas não recebo as tuas actualizações no meu feed :(

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    1. Penso que esteja relacionado com o FeedBurner, mas ainda não consegui arranjar a solução para esse problema :/ já tinha reparado nisso há algum tempo atrás, mas agora que me disseste, pelos vistos o problema persiste. Não sei propriamente o que fazer :(

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  4. Também desconhecia a história até ter visto o trailer. Fiquei curiosa e mais ainda ao ler este post. Quero muito ver o filme :)

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  5. Minha reacção: um filme sobre uma patinadora profissional??? Uou, este post foi escrito para mim!

    Vou ver assim que conseguir e venho aqui dar-te a minha opinião <3

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  6. Ando mega entusiasmada para ver esse filme! Só não vi ainda porque não me apetece ir ao cinema e ainda não encontrei com um qualidade decente :P

    Kill Your Barbies | Instagram

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  7. Quero muuuuuuuuito ver este filme - até porque só ouço maravilhas da actuação da Margot!

    Jiji

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    1. Gostei imenso dele, sem dúvida! Já li outras opiniões que afirmaram não ter gostado assim tanto da história por não ter patinagem artística suficiente, mas achei que o filme foi bem redireccionado para a vida de Tonya, tal e qual como numa biografia. E sim, a Margot Robbie esteve brutal neste papel :D

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