22.1.18

"Turtles All the Way Down" | John Green


Janeiro, o meu mês de preocupação e stress contínuo, finalmente teve o seu primeiro livro lido! Quem me segue nas redes sociais sabe que ando semi atarefada com a minha tese de Mestrado - e por atarefada, quero dizer a entrar em pânico a cada meia hora, o que não me tem dado muita liberdade para ler sempre que me apetece. Ainda assim, arranjei um tempinho para terminar o novo romance young adult de John Green, Turtles All the Way Down, e tenho umas quantas coisas a dizer sobre ele. 


Devo confessar que estava bastante reticente em comprar outro livro de John Green. Como 70% da população mundial, também li The Fault in Our Stars (2012) e sim, também chorei que nem um bebé tanto no livro como no lançamento do filme, mesmo não tendo sido nada de jeito. Ainda arrisquei com outra obra do autor, Looking for Alaska (2005), e foi mais ou menos nessa altura que desisti de John Green porque, sinceramente? Fiquei enfastiada com a constante narrativa dramática, muito Nicholas Sparks versão adolescente onde alguém morre ou onde uma doença tem que ser romantizada com o simples objectivo de vender. 

A minha relação com John Green, pensava eu, ficou por ali. 

Quando Turtles All the Way Down (2017) saiu, eu estava tão desinteressada que a sinopse passou-me ao lado. Mas foi quando comecei a ler as reviews de outros bloggers e bookstagrammers, cuja opinião é muito similar à minha e que respeito bastante, que me apercebi que afinal talvez estivesse interessada no enredo. E quando entendi que John Green decidiu abordar um assunto bastante delicado denominado saúde mental, fiquei decidida a simplesmente adquirir o livro. 

Não, não fiquei arrependida. Muito pelo contrário. 

Aza tem 16 anos, vive sozinha com a mãe depois de o pai ter morrido há algum tempo e sofre de um transtorno obsessivo-compulsivo desde sempre. John Green nunca dá um nome àquilo que Aza tem, mas ainda assim é bastante óbvio o que se passa realmente com ela, uma adolescente que vive apavorada com contrair doenças derivadas de micróbios, bactérias invisíveis que habitam no nosso corpo e que não são controláveis - e é essa falta de controlo no próprio corpo que a transtorna. Aza vive, então, com uma necessidade insistente em verificar se já está infectada ou não, quais são as probabilidades de morrer nas várias situações em que está inserida, numa espiral sem controlo que nos afecta completamente a nós, leitores, confortavelmente sentados a ler sobre ela. 

É uma história crua, violentamente bem descrita, onde não há espaço para nos afastarmos daquilo que é um problema sério na vida de muita gente e que tem consequências, não só na vida de Aza, como a de todas as pessoas que a rodeiam. 



Paralelamente, o pai multimilionário de um amigo de infância de Aza é dado como desaparecido depois de algumas implicâncias com o Governo relacionadas com burla e desvio de dinheiro. E há uma recompensa para quem encontrar o dinheiro, razão que leva Daisy, sua melhor amiga e escritora de fanfiction de Star Wars, a convencer Aza a tentar encontrar o pai de Davis para ficarem milionárias. E a história começa assim, com uma espécie de história de detective ao tentar encontrar o paradeiro de um homem, mas que se desenrola em muito mais. Davis acaba por ser também o interesse amoroso de Aza, cuja doença tem sérias implicâncias naquilo que acaba por se tornar o primeiro amor, tanto para ela como para ele. Ao mesmo tempo, mostra também a sensibilidade de um rapaz que tem o papel de irmão mais velho e tem que lidar com a percepção que se calhar o pai não é assim tão boa pessoa e, se calhar, não quis realmente saber dele e do irmão mais novo. 

E agora vocês dizem... Onde é que isto é diferente da narrativa trágica típica de John Green?

Muita coisa, respondo eu. Porque a tragédia já não é catapultada para cima de nós de forma demasiado dramática, porque já há uma construção natural do enredo e porque não há romance na doença de Aza, antes um abismo gigante que tem que ser ultrapassado pela personagem principal e apenas por ela. 

Turtles All the Way Down acaba por ser, finalmente, a versão matura e desenvolvida de John Green, como se desde 2012 até agora tivesse finalmente havido a construção necessária para que os seus romances não fossem lamechas e mais-do-menos como Nicholas Sparks, mas um enredo onde há representatividade daquilo que realmente importa, sem deixar de ser um típico livro de young adult, com young love e open endings

Acima de tudo, fez-me voltar a apaixonar-me por John Green. E a querer ansiosamente por o próximo livro, esperando que continue a ter a maturidade que Turtles All the Way Down teve.

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Já leram Turtles All the Way Down? Qual foi a vossa opinião?

8 comentários

  1. Tenho imensa curiosidade em relação a este livro, precisamente pela sinopse e pelas críticas tão positivas que já tive oportunidade de ler. A tua opinião veio reforçar ainda mais a minha vontade :)

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    1. É mesmo um livro que vale a pena. Acho que a mensagem é extremamente importante, porque precisamos de mais representatividade na literatura no que toca a questões sensíveis como a saúde mensal e doenças do género. E "Turtles All the Way Down" transmite tudo isso de forma brilhante :)

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  2. Deste-me uma excelente notícia, com esta revisão do Turtles All The Way Down! Confesso que também já tinha colocado de lado o John Green, pensando "pronto, será mais do mesmo agora", mas fiquei com enorme vontade de ler este livro que me deixou agarrada à descrição, pelo tema da Saúde Mental.

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    1. Mesmo tendo a escrita e metáforas muito típicas do John Green, acaba por ser talvez o melhor livro que ele já escreveu, na minha opinião. Muito mais maduro, muito mais consciente e muito menos tentativas excessivas em ser demasiado trágico. Vale mesmo muito a pena :)

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  3. Nunca li John Green, pois nunca me chamou à atenção por essas razões. Nicholas Sparks li apenas um livro e fiquei imensamente desiludida. Mas este livro pelo que descreves parece ser diferente e bastante interessante. Gostei imenso de conhecer o teu blog! Nova seguidora!

    Blog: https://bolacha-mariaa.blogspot.pt/
    Projeto: https://ajudaoplanetaesalvaomundo.blogspot.pt/

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    1. Li Nicholas Sparks na altura em que toda a gente lia, que foi por volta dos meus 13 anos, talvez. Foram romances pirosos que não me deram vontade de continuar a ler quando cresci, mas que para uma pré-adolescente a descobrir o amor pareceu muito bom no momento, ahah. John Green era bom na sua altura "Teenage Sparks", não me interpretem mal. Independentemente do enredo que escolhia e as personagens que matava, continuava a ter uma escrita lindíssima que lhe deu o estatuto merecido de um dos melhores escritores de young adult de sempre. Mas este novo livro parece finalmente ser "a versão certa" de John Green, se é que isso faz sentido. E enquanto que, antes de ler "Turtles All the Way Down", não havia interesse nenhum em continuar a ler os livros que li aos 17, agora parece que voltou o gosto por John Green, fazendo-me esperar ansiosamente por futuras obras do autor :)

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  4. Ainda não li, mas tenho mesmo muita curiosidade!
    O último (e único) livro que li do autor foi "A Culpa é das Estrelas" e gostava de ter outro contacto com a escrita de John Green :D

    It's Ok

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    1. Acaba por ser uma temática completamente diferente daquela a que estamos habituados com "A Culpa é das Estrelas". Continua a ter aquela história dramática típica de Green, mas parece-me ser mais realista.

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