19.7.17

the quest of succeeding in life


As minhas últimas duas semanas têm sido... interessantes. Todos os dias abro sete separadores diferentes à procura de um trabalho. Todos os dias desespero e começo a questionar-me se não vou ser daquelas pessoas que estão anos a tentar arranjar emprego. Curiosamente, estas duas semanas também têm servido para me questionar a mim mesma e conhecer-me um pouco melhor.

Já cheguei a duas conclusões: estou a encontrar-me no meio disto tudo. E estou chateada com o meu país. 


Em 2016 deparei-me com este artigo sobre a geração Y, artigo esse que explica o porquê de esta geração ser tão infeliz. Actualmente mais conhecidos pelos famosos millennials, ocupam a faixa de nascimentos entre 1980 e a primeira metade de 1990. Segundo o artigo, os jovens da geração Y vivem na ilusão de que são especiais, que têm um lugar singular no mundo e, como tal, o sucesso deveria ser algo garantido para eles. Mas, quando isso não acontece de imediato porque toda a gente têm que começar do zero para chegar ao topo, ficam desiludidos por algo que foram educados a acreditar, que acreditavam estar marcado neles. Daí a desilusão, a nostalgia, a infelicidade.

Não sei se se conseguem relacionar como eu, mas a verdade é que já no ano passado este artigo chocou-me perante a verdade tão exposta para quem quisesse prestar atenção. Ali estava eu, sentada em frente ao meu computador às tantas da manhã a perceber verdadeiramente porque é que sentia um je ne sais quoi em relação à minha vida. Estava tudo relacionado com as expectativas que tinha para o meu futuro. E isso mexeu comigo até aos dias de hoje.

THE JOB VS. THE DREAM


Um ano depois encontro-me na fase de procurar trabalho, enviar currículos e outras questões existencialistas que têm tornado o meu Verão... Inquietante. Porque, ao mesmo tempo que procuro trabalho, penso bastante nos sonhos que tinha em adolescente e como ficaram completamente incompatíveis com o que passou a ser o meu percurso académico. Eu adorava estudar. Queria ler muito, aperfeiçoar-me, tornar-me boa naquilo que gosto para conseguir chegar a algum lado. Entrei na universidade e o primeiro ano foi o sonho de qualquer adolescente que se vê fora da casa dos pais. O segundo e o terceiro ano, no entanto, foram uma espécie de wake up call, duvidando de tudo e de todos, da universidade e dos professores, até mesmo de mim mesma.

A parte mais triste desta história é saber que não sou a única a sentir-me assim. Há uma sensação de inadequação ao estudar em instituições cujo objectivo sempre foi ajudar-nos a ser mais. O que mais me chocou no último ano foi o desinteresse por parte dos professores em cativar a atenção dos alunos. O desinteresse dos professores catapulta-se logo para o sistema de avaliação do aluno e, subitamente, olho à minha volta e os comentários são todos os mesmos: "estou farta de estudar, só quero ir trabalhar". Um deles é o meu reflexo no espelho. De repente, encontro-me num mar de jovens acabadinhos de sair de cursos que ou não foram a escolha acertada (e como não dá vontade ou não conseguem voltar a pagar 3,000€+ em propinas, fica tudo na mesma) ou cuja desilusão e incapacidade em mantê-los interessados faz com que desistam rapidamente de serem bons alunos.

A geração Y é a criança que passa anos a acreditar no Pai Natal, para chegar a uma certa idade, depois de anos com toda a família a fingir que ele come sempre o raio das bolachas, e cair-lhe tudo aos pés quando passa a saber que o Pai Natal é na verdade o Tio Manuel do lado do tio-avô paterno. Quando a geração Y se encontra perdida no meio de tantos sonhos destroçados, procura um certo tipo de apoio em sítios como a escola ou a universidade, cujas experiências são as mais indicadas para ajudar alguém que, mesmo perante as dificuldades do dia-a-dia, continua a procurar uma forma de ser bem-sucedido na vida. E, de repente, também esse apoio lhe falha. O que fazer a seguir?

É neste preciso momento que me encontro. Prestes a encontrar-me quando o resto me falhou. Mas é como vos disse no início. Estou a encontrar-me no meio disto tudo. E se, de alguma forma se enquadraram na minha história, quero dar-vos a certeza que se vão encontrar também. Eis algo que faltou mencionar sobre a geração Y: somos teimosos 'pra caraças. 

11 comentários

  1. É um mundo novo e sentimo-nos completamente desamparados. Passamos tantos anos a estudar, a saber quase o passo seguinte do nosso percurso, para depois chegarmos a uma fase de total de incerteza. De muitas dúvidas e muitos receios. E ficamos como o tolo no meio da ponte. Mas acredito que se formos, de facto, teimosos e determinados vamos encontrar-nos. Vamos descobrir quem somos e onde nos encaixamos.

    ResponderEliminar
  2. Olá Sónia. Gostei muito deste teu texto (aliás, gosto muito do teu blog mas penso que nunca comentei). Percebo bem o que estás a passar. Eu própria, com 32 anos (também geração Y), estou a passar por um processo de auto-descoberta incrível e senti-me muito perdida durante uns tempos, mesmo já tendo uma carreira completamente estabelecida. Estou prestes a começar tudo do zero, por isso percebo-te muito bem. Deixa-me só dizer-te que há luz ao fundo do túnel e também que qualquer escolha que faças agora não tem de ser para o resto da vida, por isso não é tão importante como às vezes pode parecer. Não quero (mesmo!) estar a fazer publicidade ao meu blog, mas se tiveres um tempinho lê este post: https://deixaser.pt/conselhos-que-gostaria-de-ter-recebido-aos-20-anos/, e acima de tudo ouve o episódio do podcast que coloquei lá. Se eu estivesse a acabar agora o meu curso era exatamente isso que faria (e não estão a dizer que não o vou fazer agora :P).
    Força e um beijinho, se precisares de falar estou aqui =)

    ResponderEliminar
  3. Sónia, que texto sentido. Eu com 21 anos sei bem o que sentes. Sempre sonhei que a vida me reservava coisas fantásticas. Não foi esse o caso. O importante é não te comparares a ninguém, aprenderes que toda a gente tem o seu ritmo e que as coisas acontecem quando têm de acontecer. Não baixes os braços, não penses que vais sentir sempre dificuldade daqui para a frente, porque estou certa que coisas boas virão. Acima de tudo, lembra-te do que já alcançaste e de que todos nós começamos por baixo (a menos aqueles que têm o cu virado para a lua) e lembra-te que é o nosso esforço e empenho que dá frutos e que nos distingue e faz de nós mais ricos. Se tudo nos caísse de mão beijada, não teria tanto prazer, certo? Boa sorte (e perdoa o testamento).
    Beijinhos grandes.
    https://thewilderness-inside.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  4. Identifiquei-me um pouco com o que escreveste. Neste momento estou numa pausa, só se precisar realmente é que vou à procura de trabalho, porque finalmente estou a fazer duas coisas que gosto, primeiro tenho o meu filho, segundo tenho o meu blog :D

    Beijinhos,
    Dezassete

    ResponderEliminar
  5. Sónia, aplaudo-te de pé por esta magnífica reflexão.
    Embora não seja considerada integrante da geração Y por ter nascido após a mudança do milénio, tenho a plena consciência que essa geração não terminou em 1995 porque em meu redor todas as pessoas da minha faixa etária, bem como eu, pensamos exatamente da mesma forma e, sinceramente, não sei se será bom ou mau. Somos jovens que gostamos de aprender, como referiste, mas que, infelizmente, não recebemos o devido valor por isso dado que o país está controlado com o horrível sistema de ensino, que é a única coisa que não evolui...
    Beijinhos grandes e boa sorte para te encontrares, linda. Quanto ao emprego, tenho a sensação que estará para breve uma grande oportunidade. Não desistas. <3

    http://bloomblogue.blogspot.com/2017/07/ha-dois-meses-nasceu-o-bloom-sorteio-e.html (Está a decorrer um sorteio no meu blogue.)

    ResponderEliminar
  6. Este post está incrivelmente bem escrito e fruto de uma reflexão enorme. Parabéns, Sónia. Achei curioso também achares que os professores não se interessam o suficiente pelos alunos, sendo que do outro lado eles acham que são os alunos que não estão motivados. E por vezes não são, mas porque estão preocupados com o futuro, o que é totalmente justificado.

    Percebo os teus medos a 100%, como bem sabes já estive desse lado.

    Vais encontrar trabalho rapidamente, eu sei que sim. Até lá, continua a escrever assim neste cantinho que qualquer futuro empregador vai adorar ler-te. :)

    Joan of July

    ResponderEliminar
  7. Não desistas, que tudo há-de correr pelo melhor. Pensa positivo para atraires coisas positivas! :D

    ResponderEliminar
  8. tTnta verdade aqui escrita! Mas não desistas nunca! Também ando na busca e não é nada fácil! Força princesa :)

    ResponderEliminar
  9. Ora bem, eu sou daquele tipo de pessoas que com 24 anos ainda não sabe o que quer.
    Tirei um curso profissional de gestão, ai onde me meti, i know i know!!!! ehehe mas sinceramente não quero trabalhar nessa área de gestão e/ou contabilidade, só de pensar em contabilidade, contas, *medooo*
    Apesar de não ser uma área que custe foi o que me calhou na rifa por assim dizer. Eu nunca fui amiga de estudar e por mim ao 9º ano tinha saído e tinha ido trabalhar, mas não....os meus pais queriam que tira-se o 12ºano e cá estou eu!
    contudo ainda não sei o que quero. Recepcionista, penso muito nisso mas não tenho experiencia, bla bla bla!
    Fábricas, sim, não me importava mas aqui na zona as fábricas sao de trabalhos pesados e com o acidente que tive em 2013 com 20 anos não é fácil!
    okkk, continuo na luta a procura desse emprego!

    BLOG | FACEBOOK | INSTAGRAM

    ResponderEliminar
  10. Gostei muito deste post, e do teu blog!!! Excelente conteudo !! Continua!

    ResponderEliminar
  11. Gostei muito deste post :) No meu caso, os testes psicotécnicos deram igual aptidão para letras e ciências... Eu acabei por escolher um curso da área das ciências mas confesso que ainda hoje questiono se foi a melhor opção. Acho que seria muito mais útil haver uma conversa do psicólogo com cada aluno em vez de um teste que não faz qualquer sentido. Por outro lado, também tenho pena que Portugal não adopte o sistema americano dos majors e dos minors porque sempre permite agarrarmo-nos a duas áreas diferentes e, se percebermos mais à frente que uma não nos faz sentido, temos outra.
    Concordo quando referes que as universidades não cumprem bem o seu papel. No meu caso, sendo da área das ciências, o que sinto é que é tudo muito virado para a investigação quando a grande maioria dos alunos acaba o curso e quer seguir a vertente prática. Talvez isso também leve ao desinteresse dos alunos e, como consequência, dos professores.
    Enfim, desejo-te a maior sorte na tua busca :)

    ResponderEliminar

Latest Instagrams

© by the library. Design by FCD.