24.11.17

SÉRIES // Mindhunter (2017), das séries que arrepiam




Adoro séries criminais. Quando era mais nova comia episódios de CSI: Miami (2002-2012) porque achava mesmo muito fixe quando o Horatio agarrava nos seus óculos e os metia na cara depois de uma frase muito dramática que, por norma, era sempre o fim de uma cena. Mais tarde começou uma pequena obsessão por NCIS (2003) e o agente mais giro de sempre, o DiNozzo. E embora nunca tenha seguido regularmente nenhuma destas séries, foram programas que me acompanharam na adolescência e sempre me deixaram interessada no mundo criminal/policial. Quando tinha 12 anos queria ser polícia e, mais tarde, considerei durante muitos anos ir para psicologia criminal. Embora a parte toda de querer ser polícia tenha desaparecido rapidamente da minha cabeça, ainda hoje penso que gostava de tirar psicologia um dia, vertente criminal ou não.

A última série deste género que me deixou completamente agarrada foi American Crime Story (2016), onde cada temporada é a história de um crime que, na altura, ficou mundialmente conhecido e teve um grande acompanhamento mediático; a primeira temporada abordou o caso de O. J. Simpson e a segunda temporada é sobre o assassínio de Giovanni Versace. Séries como estas são extremamente interessantes porque para além de abordarem casos verídicos, têm uma filmagem, produção e escrita completamente diferentes das séries que estávamos habituados a ver como o CSI ou NCIS, com um realismo muito cru que nos toca deste lado do ecrã, aconchegados no nosso sofá ou cama. 

O que me leva ao propósito da publicação de hoje: Mindhunter (2017), a última série da Netflix que considero ser ainda mais arrepiante do que American Crime Story.

fonte: netflix


Situada em 1970, Mindhunter explora a vida de dois agentes do FBI que decidem entrevistar serial killers para melhor entender o perfil de criminosos cujas intenções vão para lá daquilo que se sabia na altura. Estamos a falar de psicologia criminal quando ainda nem sequer era entendida, sendo inclusive vista com algo negativo e desvalorizado, considerando a ideia de falar com psicopatas como algo extremamente perturbador e ineficaz. Ainda assim, os dois homens conseguem fazer com que o seu projecto seja aceite, procurando a ajuda de uma psicóloga para começar um estudo sério e dedicado, cujo objectivo não é mais do que entender como é que a mente humana é capaz de cometer tamanhas atrocidades, e como se consegue encontrar padrões para ajudar o trabalho do FBI. 

Escusado será dizer que, depois de ver dois ou três episódios de rajada, tive que parar e prosseguir com a série noutro dia. Talvez a outras pessoas isto não aconteça, mas fiquei tão impressionada com o trabalho de certos actores ao personificarem determinados serial killers. Happy Anderson, por exemplo, faz o papel de Jerry Brudos, um homem que, em todos os seus assassinatos, guardava como prémio um pé ou o sapato das suas vítimas, vestindo-se como mulher enquanto o fazia e sempre com saltos altos, o seu grande fetishe desde muito cedo. E é assustadoramente arrepiante, tenho que vos dizer. As entrevistas com esta personagem, baseada em factos reais, deixaram-me ligeiramente nauseada e incapaz de continuar na altura. E, como este, existem outros que são extremamente bem interpretados e que fazem com que a série, no geral, seja tão, mas tão boa. 

O que me chamou a atenção foi Jonathan Groff, actor que sigo desde a série de comédia Glee (2009-2015) e que também fez parte do elenco de Hamilton: An American Musical. Em Mindhunter, Groff interpreta o agente do FBI Holden Ford e, como sempre, não me desapontou. Mas o próprio elenco é excelente e merecedor de uma ovação: Holt McCallany faz de Bill Tench, o parceiro de Ford, e Anna Torv (lembram-se dela em Fringe [2008-2013]?) faz de Wendy, a psicóloga que se junta ao FBI para ajudar no estudo.

Um elenco brutal, uma história extremamente envolvente e uma produção fantástica. Se, como eu, adorarem séries de teor criminal, recomendo vivamente. Contudo, asseguro-vos que não é uma série para toda a gente. Arrepia, faz-nos pensar e explora com imenso realismo o outro lado dos crimes - o lado dos criminosos, dos psicopatas, dos serial killers. 

Já viram Mindhunter? Qual foi a vossa opinião?

6 comments

  1. Fantástico! Quero ver isto, Sónia! Fiquei completamente cativada pela descrição que fizeste, pois sendo da área da Psicologia tenho um grande interesse pela área criminal e, sabendo que a Psicopatia é difícil, deixou-me ainda com maior curiosidade :)

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    1. Então acho que vais mesmo adorar a série, Inês! Absorve-nos completamente e é como descrevi no post, deixou-me tão arrepiada e perturbada como se também eu estivesse na sala com os agentes do FBI a entrevistar serial killers. Fizeram mesmo um bom trabalho com a série :)

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  2. descobri agora o blog e adorei (:
    fiquei com muita curiosidade acerca da série, tenho de ver.

    http://arrblogs.blogspot.pt/

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    1. Obrigada, linda! E a série é mesmo muito boa, se gostas deste género não vais ficar desapontada :)

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  3. Adorava o CSI Miami! E ainda hoje paro para ver os episódios se os estiverem a repetir.
    Já tinha ouvido falar desta série, mas nunca a vi. Ainda assim, fiquei bastante curiosa, pois é do género que gosto

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    1. CSI Miami era o meu CSI favorito, mesmo sabendo que o Horatio era a personagem com mais clichés fictícios que alguma vez vi :p

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