14.11.17

LIVROS // Rupi Kaur: Poesia que me chega ao coração



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Quando li Comer, Orar, Amar (2010) de Elizabeth Gilbert pela primeira vez foi, na altura, um livro necessário e que me permitiu crescer, passando a ser um dos meus livros mais queridos. Mais tarde, na universidade, emprestei-o a uma amiga minha e sei que ela não achou o livro nada de especial. Não me admirei, pois acredito que há certos livros que têm o seu impacto em alturas específicas das nossas vidas, enquanto que se os lêssemos noutra altura, não teriam o mesmo significado. 

Tendo em conta as opiniões variadas que tenho lido em relação a Rupi Kaur e a sua escrita, não me admira que a sua poesia seja algo semelhante ao impacto que o livro de Elizabeth Gilbert teve em mim, enquanto que com outros não transmite absolutamente nada. Só vos consigo dizer que todos os seus poemas me chegam ao coração, parecendo encaixar na altura certa.





Quando pedi o Milk and Honey (2014) a uma amiga minha no início deste ano, concordei em lê-lo por duas razões bastante simples: primeiro, queria inserir mais poesia nas minhas leituras e segundo, a poesia de Kaur era tão louvada na comunidade do Goodreads que quis perceber o porquê de tanta popularidade. 

Acreditem que não estava à espera de uma reacção tão avassaladora cá dentro como a que tive.

Apesar dos seus poemas tocarem em vários tópicos, todos eles muito sensíveis, o que mais chega até mim são aqueles em que fala sobre depressão e falta de auto-estima. Tanto em Milk and Honey como no seu segundo livro, The Sun and her Flowers (2017), conseguimos sentir uma espécie de caminhada em versos, onde começamos no fundo, no abismo onde habita a falta de amor por si própria, o abandono e a solidão e até mesmo traumas que ela viveu como ter sido violada quando era mais nova, e terminamos numa subida gradual até ao amor próprio e à aceitação daquilo que ela realmente é.

Escusado será dizer que imensos versos enquadram-se naquilo que eu própria sinto, como falei há pouco tempo aqui pelo blogue sobre como admitir que estou mal é um super-poder.

As suas colectâneas de poesia abordam também o feminismo, por exemplo. Imensos poemas nos dois livros são como uma louvação à sua mãe, às mulheres da sua vida e a todas as outras mulheres que, como ela, sofreram e caminharam muito para chegarem até ao presente. Na escrita de Rupi Kaur não há espaço para ódios, preconceitos e julgamentos, se não mensagens redireccionadas para empowerment feminino e muito, muito amor para nós mesmos e para os que nos rodeiam. 






Qualquer bookworm sabe, como eu, o quão importante é para nós termos determinados livros que parece que nos lêem a alma. A poesia de Rupi Kaur é, para mim, exactamente isso: muitas vezes sinto que a poeta não escreveu apenas para ela, mas para mim também, quase como se eu mesma fizesse parte da mensagem, da história por trás de certos versos. Acaba por ser esse um dos propósitos da literatura, certo? A capacidade de chegar até nós através da palavra.

Muita gente critica a poeta, dizendo que os seus livros não são realmente poesia, dando exemplos de certos poemas que não parecem mais do que duas frases juntas e que qualquer um pode fazer o que ela faz. A poesia de Rupi Kaur é uma que nos chega ao coração se assim o quisermos, mostrando através da simplicidade da sua escrita a dor do mundo, a nostalgia e a saudade da solidão e do abandono, tudo através da sua própria visão e perspectiva de vida. Mas é como vos expliquei no início desta publicação: certos livros não são para toda a gente e não transmitem a mensagem que nós mesmos sentimos.

Para mim é toda esta mensagem de aceitação, perdão e crescimento que me é necessária para a minha própria caminhada. Se assim o quiserem, deixem que os seus poemas entrem no vosso coração, como entraram no meu.







3 comments

  1. Não conheço, mas fiquei cheia de vontade de descobrir a sua poesia!

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    1. O primeiro livro está disponível em português, mas se alguma vez chegares a comprar e gostares de ler em inglês, recomendo vivamente a versão original. Capta muito melhor a essência da sua poesia do que através de uma tradução :)

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  2. Não sou muito amiga de poesia, mas por alguma razão os livros da Rupi Kaur despertam-me imenso a atenção. Talvez seja pela conjugação texto-imagem, não sei. Mas mal posso esperar por colocar as minhas mãos nestes dois livros!

    Beijinhos
    Andreia, ALL THE BRIGHT PLACES

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