2.11.17

Favoritos de Outubro


... No mundo ficcional, claro. Embora já saibam porque é que tenho andado ausente aqui pelo blogue, a verdade é que me tenho entregado à ficção como forma de fugir à realidade. Tenho lido muito, visto imensas séries e até um filme (sim, um filme!, pois é cada vez mais raro para mim vê-los, preferindo muito mais séries). Acho que é a altura ideal para vos falar dos meus favoritos deste mês, tudo a nível ficcional, tal como eu gosto.





A COURT OF THORNS AND ROSES (2015), SARAH J. MAAS


Estou presentemente a arrastar (estou naquela altura em que tentamos pôr o livro de lado por não querermos que ele acabe) o terceiro livro da saga, A Court of Wings and Ruin (2017) e pretendo no futuro falar-vos mais pormenorizadamente sobre os três livros e a sua história, que já considero uma das minhas favoritas de literatura fantástica. Para já, posso dizer-vos que é literatura fantástica, onde o folclore se mistura com a magia trazendo-nos a história de Feyre Archeron, uma jovem que vive com as duas irmãs e o pai numa cabana miserável, lutando todos os dias contra a fome e a pobreza... Até ao dia em que Feyre mata um fae achando que se trata de um lobo. 

Feyre é catapultada para o mundo fae, um mundo que foi ensinada a temer e a odiar depois de séculos onde os humanos eram escravos de uma espécie considerada superior, tirana, malévola. Mas quando a jovem humana entra na corte do High Lord Tamlin, a sua opinião muda aos poucos. Há toda uma gradual mudança do ódio para a indiferença, da indiferença para o amor. E é no final do primeiro livro que Feyre se encontra embrenhada numa guerra entre faeries, acabando por se tornar a personagem principal de um mundo que nunca lhe pertenceu mas que sempre fez parte dela. 

Dois avisos antes de entrarem na história: há cenas de sexo bastante explícitas, algo que muita gente critica por o livro ser considerado young adult quando, na realidade, é new adult; para além disso, não aceitem a narrativa de Sarah J. Maas como certa, pois todas as personagens mudam completamente ao longo dos três livros, fazendo-nos mudar uma opinião de ódio para uma de adoração ou vice-versa. Definitivamente algo que adorei na sua escrita!

Infelizmente, os livros ainda não se encontram disponíveis em português, pelo que se gostarem de livros baratos e estiverem confortáveis com leituras em inglês, podem adquirir o primeiro livro, A Court of Thorns and Roses no Book Depository


NEM TODAS AS BALEIAS VOAM (2016), AFONSO CRUZ

Afonso Cruz é um dos meus escritores portugueses favoritos. Há qualquer coisa na sua escrita que me transmite uma paz imensa, independentemente da história que nos conta. Juro-vos que, certas vezes, parece que há uma magia em cada palavra que nos prende e cativa, e em Nem todas as Baleias Voam sinto de novo isso, tal como senti nos seus outros livros, ainda que não seja um dos meus favoritos dele. 

Erik Gould é pianista de blues, um dos mais prestigiados músicos e cuja paixão pela música é conhecida por toda a gente. Gould vê uma música prestes a ser escrita em tudo, comparando-a muitas vezes a retratos pintados e livros a serem escritos. Um dia a sua mulher Natasha desaparece sem deixar rasto e o mundo desaba-lhe aos pés. E, simultaneamente, estamos numa época em que a CIA utilizava o jazz como forma de enviar mensagens codificadas para os seus espiões em plena Guerra Fria, sendo que querem contratar Gould para o fazer. 

A magia de Afonso Cruz reside exactamente nisto: acabei de vos dar o resumo da história, mas a verdade é que existe muito para lá da narrativa principal. Este escritor vai buscar a alma de cada personagem e planta-a através de metáforas, de conversas com outras personagens que mostram-nos a verdadeira mensagem de um livro encantador que, na realidade, fala sobre a beleza das artes, o amor de um filho pelo seu pai e a importância da mundanidade das coisas. Interessados? Podem adquiri o Nem todas as Baleias Voam na Wook.


CARRY ON (2015), RAINBOW ROWELL

Por último nos livros - e porque não quero saturar-vos com mais Outlander - trago-vos uma leitura ainda de Setembro, mas que achei importante mencionar por a escritora ser uma das minhas favoritas do mundo young adult. Não gosto de dizer que tenho um top de livros preferidos mas, se o tivesse, Fangirl (2013) estaria certamente nele. A história fala-nos sobre Cath, uma jovem introvertida que adora escrever... fanfiction. Quando entra na universidade, Cath está a reescrever a história de Simon Snow, uma personagem de uma das suas histórias favoritas, colocando-o numa escola de magia onde se apaixona pelo seu colega de casa, meio vampiro e extremamente irritante Baz. 

Carry On (2015) é precisamente a história que Cath escreveu, mostrando-nos oficialmente o mundo de Simon e Baz onde em Fangirl tivemos apenas pequenos excertos. Simon é considerado o feiticeiro mais poderoso do reino... Embora não consiga fazer magia como deve ser; a verdade é que ele não se consegue controlar, explodindo muitas vezes e fazendo com que os seus feitiços saiam completamente ao contrário. Desde que entrou para a escola, uma escola de magia que nos faz lembrar uma versão mais leve e simples de Hogwarts, Simon divide o seu tempo entre lutar contra o Humdrum, uma criatura que está a matar a magia aos poucos, com os seus estudos e impedir as diversas tentativas de assassínio do seu colega de quarto, Baz. Só que depois de tantos anos a lutarem um contra o outro e a proclamarem-se inimigos mortais, existe algo que os obriga a juntarem-se para um bem comum. E, pronto... O ódio desmascara-se como uma grande obsessão e amor.

Quando tento descrever a escrita de Rowell, a palavra que me vem sempre à cabeça é... Fofinha. Porque é mesmo! Ler os seus romances é como voltar àquela sensação de amor adolescente, independentemente do ambiente, cenário e personagens que estejamos a ler. E nem mesmo num ambiente de fantasia como este deixamos de sentir isto: Simon e Baz são... Fofinhos! 

Se quiserem ler em inglês, comprem na Book Depository; em português, na Wook.



THE GIFTED (2017)


Um pequeno aviso: se são aquele tipo de pessoas que já estão cansados de séries/filmes sobre super-heróis, esta série não é para vocês. The Gifted (2017) estreou-se este mês com um elenco fantástico - e definitivamente o que me achou a atenção - e fiquei sensivelmente surpreendida com o resultado. Não sigo banda desenhada, mas sei que a série remonta a uma época pós X-Men onde os mutantes são agora julgados e perseguidos pela justiça, tendo que viver constantemente escondidos das autoridades. 

Reed Strucker (Stephen Moyer) e Kate Strucker (Amy Acker) são obrigados a deixar a sua casa quando os seus filhos, Lauren e Andy, são descobertos como sendo mutantes. É aí que a família Strucker se junta a um grupo de refugiados, estando em constante fuga da polícia, sendo que ainda temos muito para ver das suas futuras aventuras. 

Fico à espera para dar uma opinião mais fundamentada, embora tenha a dizer que os primeiros episódios entusiasmaram-me imenso e deram-me vontade de mais, mais, mais!



VICTORIA (2016)

Há pessoas que têm gostos bastante semelhantes ao meu e depois há a Inês, que parece gostar tanto de ficção histórica como eu. Foi neste post sobre dramas históricos que encontrei várias séries para ver no futuro, sendo que Victoria (2016) ficou logo numa das minhas preferidas (para além dessa, vi também Medici: Masters of Florence [2016] e recomendo vivamente também!).

A série britânica é baseada no livro de Daisy Goodwin com o mesmo título, contando-nos a história da Rainha Vitória de Inglaterra, interpretada pela maravilhosa Jenna Coleman, que aos 18 anos subiu ao trono e, embora tenha sido uma das rainhas que mais tempo esteve no trono, foi também uma das mais polémicas, numa constante negação a protocolos e mostrando quem realmente manda desde o início do seu reinado. Basicamente um acompanhamento da sua vida enquanto monarca, vamos descobrindo tudo sobre o seu marido, o Príncipe Albert (Tom Hughes), os seus filhos e familiares e amigos mais chegados. 




LUKE CAGE (2016)

Tenho que vos dizer que fiquei verdadeiramente surpreendida com esta série. Depois de ter tentado ver Iron Fist (2017) e ter desistido por tê-la considerado uma série aborrecida, estava com um pé atrás em relação a esta. E, embora o desenrolar do enredo seja lento, dei por mim completamente entranhada na história, apercebendo-me inclusive dos vários pontos interessantes que decidiram abordar no meio da história de Luke Cage (Mike Colter), que depois de uma experiência na prisão fica com super-força e com uma pele que não se rasga, que não se abre e o torna mais ou menos invencível.

Luke vive em Harlem na primeira temporada da série, lutando pela sua sobrevivência com os seus vários trabalhos discretos, como lavar a louça ou limpar o lixo no barbeiro Pops. Cornell Stokes (Mahershala Ali) é um dos empresários mais ricos de Harlem, sendo também o que orienta o tráfico ilegal ao mesmo tempo que orienta dinheiro para a sua prima, Mariah Dillard (Alfre Woodard), que está a concorrer para um cargo político importante. Luke vê-se envolvido com Stokes, achando que tem como missão restaurar Harlem aos seus cidadãos, livrando a cidade de Stokes e todas as suas operações ilegais. Ainda estou a meio da série, mas a rivalidade entre ambas as personagens promete destruição e, ao mesmo tempo, bastante astúcia por parte dos dois. 

Coisas que estou a adorar nesta série: a representatividade do elenco, sendo que praticamente todas as personagens são actores de cor. Não é só através de Luke Cage, uma personagem que é algo entre um anti-herói e um super-herói que nos chega ao coração com a sua compaixão, docilidade e amizade para com aqueles que gosta, por comparação às personagens negras hollywoodescas que servem como comic-relief ou como guarda-costas brutamontes sem profundidade. Não; para além disso, temos o maravilhoso Mahershala Ali, cuja entrega ao seu papel muitas vezes me arrepia, e temos também mulheres maravilhosas com papéis importantes que estão incluídas na representatividade da série: Misty Knight (Simone Missick), uma agente da polícia extremamente inteligente e astuta, e a nossa já conhecida Claire Temple (Rosario Dawson) que ajuda Luke Cage tal como ajudou Daredevil e Iron Fist. 


WONDER WOMAN (2017)

Finalmente tive coragem para ver este filme. Digo coragem porque gosto muito de ver filmes num cinema, propositadamente sentando-me durante duas horas numa sala com o meu namorado ou amigos apenas com o intuito de me entregar à história. Em casa, não sei porquê, sinto que estou a perder tempo precioso - o que é no mínimo estúpido, quando chego a comer temporadas inteiras de séries numa tarde, mas enfim. 

Quis ir ver Wonder Woman no cinema, mas infelizmente não consegui. Ainda assim, tinha imensa curiosidade por tratar-se do primeiro filme inteiramente dedicado a uma heroína como personagem principal, fi-nal-mente. Adoro filmes de ficção científica ou de fantasia, mas a falta de representatividade do sexo feminino sempre foi algo que me irritou. Se não concordam comigo, basta verem o exemplo de toda a colectânea dos Avengers, com filmes sobre o Iron Man, Thor, Hulk e Capitão América mas nenhum sobre a Black Widow. 

Diana Prince (Gal Gadot), é a nossa Mulher Maravilha no universo da DC Comics e estou muito agradecida por ter uma heroína como ela no cinema. O filme narra a primeira vez que Diana saiu da ilha Themyscira para destruir Ares, o Deus da Guerra (interpretado por David Thewlis, o meu para sempre Remus Lupin), na altura da I Guerra Mundial. Como se trata da primeira experiência fora da ilha, existem vários momentos cómicos e outros de ajuste ao mundo humano, o que torna o filme fácil e agradável de ver. No entanto, o mais importante para mim é mesmo a presença de uma heroína feminina, uma imagem de força, perseverança e heroísmo que encanta qualquer menina, seja pequena ou grande - uma imagem que também nós, mulheres, temos o poder de ser super-heróis. 


Quais foram as vossas leituras/séries/filmes favoritos do mês de Outubro? Estes foram os meus, espero que tenham gostado ❤ 

8 comments

  1. Fiquei bastante curiosa com o livro de Afonso Cruz!

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    1. Todas as obras do Afonso Cruz são fantásticas, Andreia! Recomendo vivamente :)

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    2. Ainda não tive oportunidade de ler, mas já acrescentei algumas à minha lista :D

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  2. Ainda não li nenhum, mas tenho como objetivo um dia ler um livro em inglês De séries, a única série que vi e vejo é a Guerra dos Tronos.

    Beijinho || Daniela Silva | Blog

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    1. Posso dizer-te que os livros de Game of Thrones também são mesmo muito bons! Não te vais arrepender :)

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  3. r: Também gostei muito, porque acaba por ser um bocadinho diferente :)
    Orgulho e Preconceito é mesmo extraordinário!

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  4. Ahhhh quero tanto ler esses livros da Rainbow Rowell!!!
    Adorei ler os teus favoritos de outubro Sónia!

    Beijinhos
    Andreia, ALL THE BRIGHT PLACES

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    1. Acredita, vais adorar! O Fangirl, especialmente, é o meu favorito de todos. Relacionei-me imenso com a personagem principal e a sua história ;)

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