20.11.17

LIVROS // 4 Clássicos da Literatura que toda a gente adora e eu... Detesto



Alguém me vai matar. Em minha própria defesa, tenho que vos dizer que é mesmo muito difícil para mim não gostar de um livro. Sou o tipo de pessoa que consegue arranjar sempre algo positivo a dizer sobre uma obra, admitindo que se não foi do meu agrado é apenas natural, porque não podemos gostar todos de amarelo (já agora, gosto muito de amarelo). 



Perfume (1987), por Patrick Süskind

... Eu simplesmente não consigo. Desculpem, mas não consigo! Li-o para avaliação numa aula da minha licenciatura e fiquei horrorizada com o entusiasmo e excitação da minha professora ao considerá-lo uma das melhores obras de todo o sempre. Esta obra pode receber pontos pela sua criatividade, no mínimo, bem como na forma extraordinária (tenho que o admitir) com que o autor consegue descrever ao pormenor a capacidade que a personagem principal tem em distinguir cheiros. 

O que me faz impressão é a objectivação e sexualização do corpo feminino nesta história. Consigo entender perfeitamente a colocação da perspectiva psicopata de um serial killer, tornando os assassínios em torno do cheiro perfeito algo claramente sexual. Não consigo entender... O resto. Aquela espécie de bacanal na cena final, onde as pessoas transformam-se devido ao perfume que Grenouille conseguiu fazer depois de matar a sua última vítima, como se o cheiro de uma mulher fosse de tal forma transcendente que provoca uma espécie de orgia-canibalismo-culto-estranho que nem sequer consegui processar muito bem... Fiquei enojada com toda a obra, sinceramente. E não consigo ouvir para lá do que me possam dizer de positivo em relação a este livro. 

Matadouro Cinco (1969), por Kurt Vonnegut Jr.

Estou disposta a dar uma segunda oportunidade a este livro se conseguir adquiri-lo em inglês. Toda esta obra é referida como um clássico, uma daquelas viagens do caneco que nos fazem mudar a perspectiva com que vemos o mundo. Para mim não teve significado. Acho que na tradução do livro para português, a essência da mensagem perdeu-se e deixou-me assim... Sem saber sequer o que pensar desta história. Como se fosse uma narrativa com todo o potencial mas que, depois de o ler, faltasse aquilo que nos faz amar literatura, tornando-o uma desilusão.

A Metamorfose (1915), por Franz Kafka 

Entendi perfeitamente toda a mensagem que esta história quis transmitir. Entendi, inclusive, o porquê da transformação para uma barata, no meio de uma sociedade plenamente industrial e de tudo o que aconteceu posteriormente com a família, a solidão que a personagem principal sentiu, etc. Mas, novamente, não fez aquele clique. Não moveu mundos e fundos como toda a gente me fez crer até decidir-me a comprá-lo. E a única coisa positiva desta história foi o facto de ser tão breve. 

The Fellowship of the Ring (1954), por J. R. R. Tolkien

Isto provavelmente faz com que dê razão a toda a battle ficcional existente entre fãs de Harry Potter e Lord of the Rings, mas tenho mesmo que dizer que embora seja uma potterhead para toda a eternidade... Fiquei extremamente desiludida com o primeiro livro de uma saga que é venerada por várias gerações. 

Não sei exactamente o que é neste livro que me faz sentir... Desconfortável é a palavra certa. É tudo muito negro, muito lúgubre. Talvez não seja o meu tipo de magia, se é que isso faz sentido. Para além disso, achei a escrita de Tolkien simplesmente... Aborrecida. Desculpem, amados fãs incondicionais de Lord of The Rings. Eu tentei, juro que sim. 

Vou esconder-me num buraquinho agora. Já lerem alguns destes livros? O que acharam deles? Partilham da minha opinião ou querem matar-me aos bocadinhos?

4 comments

  1. Na minha opinião, o facto de serem considerados clássicos não é motivo suficiente para que todos gostemos. Precisamente pelo facto de cada pessoa ter o seu estilo. E, por isso, é natural que aquilo que seja incrível para uns não o seja para outros. E não tem que haver culpas por essa diferença. Há lugar para todos, desde que o respeito se mantenha!
    Não li nenhum, mas tenho curiosidade com «A metamorfose» e «Perfume»

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    1. Tecnicamente, eu percebo o que queres dizer e entendo-o como certo. Por outro lado, enquanto licenciada em Literatura, é como se sentisse aquela obrigação em gostar de certos livros que são considerados os melhores da literatura. É tolinho dizê-lo, mas é assim que me sinto por vezes. Talvez por o meu gosto ser tão diferente "da norma". Mas pronto :)

      Se algum dia os leres, diz-me algo para saber a tua opinião!

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  2. Podem ser clássicos, mas é óbvio que nem todos iremos gostar, é completamente normal, apesar de ser muito difícil para alguns entender, sobretudo, os apaixonados dessas obras! Mas como disseste não podemos gostar todos do amarelo! A já agora também gosto muito de amarelo ;) É uma das minhas cores preferidas.

    Blog: https://bolacha-mariaa.blogspot.pt/
    Projeto: https://ajudaoplanetaesalvaomundo.blogspot.pt/

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    1. Acho que é difícil, o choque entre gostos. E mesmo quando sabemos que não podemos gostar todos da mesma coisa, ficamos quase ofendidos, "como assim não gostas disto?!?!?!?!" (que normalmente vem com todo um sermão sobre como determinado assunto é o melhor de sempre, eheh).

      Ahhh, sim! Amarelo também é das minhas cores favoritas. Vou mais para o amarelo-torrado, principalmente :p

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